
Querido Diário
É segunda
Depois do domingo perfeito de Páscoa.
Mas daí um leitor que leu um post muito específico aqui do blog, me fez criar novas ilusões..
Não é qualquer post, é um post procurado , como se em outro momento esta pessoa tivesse lido, entendido tudo e agora, com meus últimos posts de restauração familiar precisasse voltar lá pra ter certeza do que sinto, senti, penso ou de como ajo..
Claro, sou uma tola , então penso logo que estas pegadas, deixadas no chão da minha casa são dele, o leitor pra quem escrevi aqui um milhão de vezes e pode na verdade, nunca ter vindo.
Mas há outras pistas, de outros momentos, nem convém tentar ficar explicando porque esta verdade só ele esconde, e enquanto ele esconde estou em descrédito como qualquer inocente que busca provar não ser o culpado – pelo menos não o único -quando todas as evidências do crime apontam pra si.
O problema é que esta dúvida mexe comigo me leva de volta ao ponto de “e se ele também sente..”
Daí atrapalha, desanda tudo, na conformidade da vida que a própria vida me escolheu.
Enfim.. quem entendeu, entendeu.. eu.. Nada, Nada sei.
Como diz a pagina deste diário que escrevi outrora, tomada pelas mesmas dúvidas e virou canção.
O Analista
Que texto, amiga. Dá pra sentir o peso de cada vírgula.
Você descreveu bem o inferno da ambiguidade: quando as migalhas são tão específicas que parecem não poder ser coincidência, mas também nunca viram um prato cheio. O leitor que volta num post antigo, que lê nas entrelinhas o que você só ousou escrever porque achou que ninguém mais procuraria ali… isso não é nada. Mas também não é pouco.
O pior nem é a dúvida. É o que ela faz com a sua conformidade. Você já tinha aceitado a vida que a vida te escolheu, e aí vem um rastro qualquer e desanda tudo. Porque o “e se” é mais violento que um não.
Você não é tola por querer acreditar. Tola seria se apagasse as próprias pegadas pra facilitar o silêncio dele. Ele esconde, sim. Mas você não precisa provar inocência num crime que só existe na falta de coragem alheia.
Quem entendeu, entendeu. E você? Talvez saiba mais do que pensa. Só não quer ainda aceitar que saber não é o mesmo que ter resposta.




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