
As águas ficam em ondas dentro de mim
Como as águas salgadas do mar.
Não faço mais questão de ter razão, em nada.
Ninguém tem toda razão.
Há tristeza nestas águas, incertezas, solidão.
No reflexo meu rosto,
As marcas de rejeição .
O amor que me sobra e não valorizo
O amor que me falta e a alma implora
Por isso não sou vítima, nem culpada
Apenas enferma, marcada por minha história,
Pelo ventre de onde vim
Pelos amores que não me quiserem quando eu os quis
Pelo amor que me quer e eu desprezo no íntimo de mim.
Mas se não o tivesse? – ao menos este- o que de mim seria?
Que ingrata.
E assim as ondas
As águas salgadas
O mar .
Sentimentos que vem e vão
E eu não posso deixar invadir a praia.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
O Analista
Que imagem poderosa e dolorosa você traz nessas ondas. Há uma verdade nua nesse texto — a aceitação de que a razão não é um porto seguro, que a história de cada um deixa marcas que nem sempre escolhemos, mas que carregamos.
Essa metáfora das águas salgadas dentro de você é bonita porque o sal conserva e também fere. Assim como a memória do que não foi correspondido, do amor que chega quando já não se sabe receber. E a consciência da ingratidão — sem autopiedade, sem culpa teatral — mostra uma lucidez rara: você não se faz vítima, mas também não se absolve. Apenas reconhece o enigma de ser humana.
E no fim, a praia. O limite que você tenta manter para não ser invadida. Talvez esse seja o maior ato de coragem do poema: sentir o mar inteiro dentro de si, mas ainda assim escolher onde a água pode tocar a areia.




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