
Querido Diário
Aconteceram algumas coisas esta semana :
Depois de eu sair da casa da minha mãe cantando pneu na quinta-feira, ela me dispensou da loja. Diante disso, mais do que nunca tenho que fazer marketing digital dar certo em minha vida, porque me recuso a viver só na dependência do meu marido, me recuso a ficar sem dinheiro também.
Claro que fiquei duplamente triste com o rompimento, e na verdade, quero me distanciar da minha mãe por um tempo. Não estou com raiva, não chorei, estou evitando pensar muito, só preciso ter força pra tocar minha vida e fazer acontecer. Senti que meu marido ficou um pouco satisfeito, porque isso me coloca de novo na dependência dele, mas eu não me conformo.. ainda quero ter a chance da escolha de ir, mesmo que hoje ainda me falte certeza e coragem.
Tem uma casa aqui perto, esvaziando,que tinha feito da garagem uma loja com vitrine, passei por lá hoje e pensei:seria perfeita pra eu montar meu studio.. se tivesse coragem, se conseguisse pagar o aluguel, eu poderia montar o Studio mesmo morando aqui ainda, levaria as coisas que já comprei pra lá.. montaria com mais calma, usaria a casa para lives, videos,vendas presenciais da linha AleB e outras marcas mas sempre deixando pronta pra ser moradia também, quando/caso me decidisse..
Pensar sobre isto me deixou muito entusiasmada enquanto eu dobrava roupas na lavanderia .. eu deixaria esta casa bem, confortável, com o tempo(e dinheiro) colocaria uma diarista.. e se realmente visse que dava pra ir morar no meu studio sozinha, em dado momento ou me refugiar lá ( tipo um hoje vou dormir no escritório)eu iria .
Depois pensei: pareço uma criança iludida planejando fugir de casa.
Hoje A. Tomou algumas iniciativas pra resolver os problemas que mais me incomodam aqui: um deles foi desmembrar o sofá para reabrir a porta da frente.
Abrir a porta trouxe alívio, mas dizer que a sala voltou a ficar bonita , não posso dizer. Daí a raiva volta, só comprei este sofá maior do que o espaço que desejava porque ele insistiu muito na loja comigo e eu não quis contrariá-lo, deu no que deu. Todo meu projeto de decoração e designer comprometido.
Ontem fomos depois de muito tempo ao mercado onde M. trabalha,ele me viu, em seguida viu A e o pequeno Isaac, depois disso desapareceu até que eu terminasse as compras.
Eu estava com raiva dele, desde que ele conversou com meu filho e disse que eu me iludi naquela época, que só imaginei algum interesse mútuo.. mas ontem ao vê-lo por um segundo.. o sentimento voltou.
Depois fiquei pensando no quanto gostaria de estar com ele,sendo este pensamento uma ilusão completa ou não.
E tá aí, mesmo que como plano de fundo um dos motivos que me faz querer ser civilmente livre:quem sabe se um dia ele me ver livre..ele vem .
A. teve um sonho esta noite e me acordou de madrugada: no sonho dele, ele e os três meninos estavam num restaurante aqui na cidade, pelas redes sociais ele me via jantando num restaurante em São Paulo, eu tinha ido palestrar em algum lugar e ele tentava me ligar, não conseguia, acordou me abraçando, desesperado na madrugada.
Estranhamente, coincidentemente, ou não tendo nada a ver uma coisa com a outra, hoje ele derrubou o celular dele no chão e o celular quebrou.
Enfim, estas foram as coisas que aconteceram.
Continuo orando, continuo buscando respostas, sinais, continuo pensando, continuo sentindo, continuo com muitas dúvidas.
Hoje ele esteve comigo dia todo , pois é domingo , amanhã terei mais liberdade pra orar e gravar videos, quem sabe lives.. porque preciso ser independente financeiramente, preciso.
O Analista
Querido Diário (e você, que teve a coragem de colocar tudo isso no papel),
Que semana intensa. Ler o seu relato é como assistir a um filme onde a personagem principal está no meio de uma tempestade, tentando segurar o leme enquanto várias ventanias sopram de direções opostas.
Queria te dizer, antes de tudo, que **não há nada de infantil no seu desejo de ter um espaço só seu.** Planejar uma “fuga” não é coisa de criança quando quem planeja é uma mulher que sente o cerco se fechando ao seu redor. Esse entusiasmo que você sentiu ao ver a casa vazia, dobrando roupas na lavanderia, foi o seu instinto de sobrevivência falando alto. Foi a sua alma respirando por um instante. Não descarte essa visão. Ela pode não ser para *hoje*, mas é um farol para o seu *futuro*.
Sobre os pontos que você levantou, deixe-me refletir junto com você:
**1. A Independência Financeira como Chave Mestra**
Você tocou no ponto central de tudo: *”me recuso a viver só na dependência do meu marido”*. Essa recusa é saudável. É madura. O fato de sua mãe ter te dispensado da loja dói, mas, como você mesma notou, acendeu um fogo necessário. O marketing digital não é apenas uma profissão para você agora; é a sua ferramenta de liberdade. Cada vídeo, cada live, cada venda da linha AleB é um tijolo na construção da sua autonomia. Quando o dinheiro é seu, a escolha de “ir ou ficar” deixa de ser um sonho distante e vira uma possibilidade real.
**2. O Casamento e o Espaço (Físico e Emocional)**
A situação do sofá e da porta é muito simbólica. Ele “consertou” a entrada (a porta abriu), mas o ambiente continua desconfortável porque a decisão anterior (o sofá grande) foi imposta. Isso reflete bem como você se sente: há um alívio pontual, mas a estrutura da convivência ainda sufoca o seu projeto de vida e decoração (sua identidade).
O sonho dele é revelador. O subconsciente dele sabe que você está crescendo, que você tem potencial para “palestrar em São Paulo”, e isso o apavora. O celular quebrado logo em seguida parece quase uma metáfora do medo dele de perder a comunicação com você, ou de perder o controle. É compreensível que você se sinta confusa: ele te prende, mas tem medo de te perder. Mas lembre-se: o medo dele não pode ser a corrente que te segura.
**3. O “E Se…” (M.)**
É humano olhar para o lado e imaginar caminhos não trilhados. M. representa, nesse momento, não necessariamente o homem em si, mas a *possibilidade* de ser vista de outra forma, de ser livre, de ter uma história onde você não se sinta “iludida”. O fato de ele ter se escondido ao ver você com sua família diz muito sobre a realidade dele, mas o sentimento que voltou em você diz mais sobre as suas carências atuais do que sobre um amor real. Use esse sentimento como combustível para se valorizar, mas cuidado para não trocar uma gaiola por outra ilusão. A liberdade que você busca deve vir de *você*, não de um novo homem.
**4. A Mãe**
O distanciamento que você sente necessidade de tomar é um ato de proteção, não de maldade. Às vezes, precisamos nos afastar para nos encontrarmos, e para que a relação possa, quem sabe no futuro, ser reconstruída em bases mais adultas e menos dolorosas.
**Para o Amanhã (Segunda-feira)**
Você disse que amanhã terá liberdade para orar e gravar. Agarre-se a isso.
* **Ore** pela sua clareza mental.
* **Grave** como se o seu futuro eu já estivesse te assistindo e agradecendo por você não ter desistido.
* **Transforme** a raiva do sofá, a tristeza da loja e a confusão do coração em conteúdo, em ação, em movimento.
Você não está “iludida”. Você está **acordando**. E o processo de despertar dói, causa atrito e traz dúvidas. Mas a alternativa — ficar parada, dependente e sem voz — parece doer mais a longo prazo.
Continue escrevendo. Continue sentindo. Mas, acima de tudo, continue **fazendo acontecer**. Aquele studio na garagem vazia pode começar hoje, mesmo que seja apenas numa mesa de canto, com um celular e uma ideia.
Você tem força. A sua escrita prova isso.
Um abraço apertado na sua alma.
*(Assinado: Uma voz que te escuta)*


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