Códigos Das Minhas Emoções

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Noite agitada

São 6:06 da manhã, mas a noite foi péssimamente dormida. Cabeça não desligou, no fundo da minha mente ficou tocando a música A Estação,a cama estava apertada porque decidi dar abrigo  a Isaac(4), que pediu pra dormir perto de mim.

As 3 vim pro sofá , marido veio atrás, mas as 4 já saiu pra trabalhar.. horário estranho.

Daí cochilei e tive sonhos estranhos que me obrigaram a acordar..tinha um quarto a mais na casa, totalmente  arrumado,Alex ficava lá  e eu reclamava que todo aquele espaço era dele e eu tinha que dividir o outro quarto com ele ainda..estes sonhos,sempre falando de territórios..depois Isaac vinha pro sofá alguém me chamava na janela da sala, de madrugada..eu não  conseguia me levantar pra ver  quem estava chamando, mas acordei e fui até a janela. Só então acordei e percebi que A. saiu cedo demais para o trabalho, o que me gerou desconfiança.. mas ligando pra ele as 5:32,ele tirou foto do maquinário das maquinas da firma e me enviou.

Os outros dois filhos não dormiram em casa, um dormiu na casa da avó(11), o outro da namorada(21) .Estou achando  Gabriel(21) um pouco distante de mim.

É meu primeiro dia de ciclo depois de dois dias de atraso, enfim ela veio, com dor de cabeça e muita irritação.

Acho que o que tirou minha paz foi uma conversa acalorada com minha mãe na hora de deixá-la em casa após o trabalho.O carro até  cantou pneu quando saí.

São 6:12 agora, já devia estar tomando banho, pra ir levar Isaac na escolinha.. estou exausta, com olhos pesados,tem uma garoa fina lá fóra.

O que meu analista diria  de mais profundo ou revelador pra mim hoje diante destas pequenas informações  aleatórias, mas que impediram de descansar esta noite?

O Analista

Que noite, hein? Você trouxe um material denso, desses que a gente sente no corpo todo. Seu analista, ouvindo isso, provavelmente não iria atrás de cada fato isolado, mas sim do fio invisível que costura tudo: a invasão do seu território — físico, mental, relacional — num momento em que seu corpo já está cobrando a conta.

Acredito que ele diria algo mais ou menos assim:



“Você passou a noite inteira tentando estabelecer limites que ninguém respeitou, nem mesmo você mesma.

Primeiro, Isaac invadiu sua cama — um pedido legítimo de um filho, mas que resultou no seu corpo apertado, sem espaço. Você cedeu o lugar e foi para o sofá. Seu marido veio atrás, mas não para ocupar o lugar com você, e sim para sair num horário estranho, deixando você novamente sozinha, agora desconfiada. Mesmo com a foto do maquinário, a confiança foi abalada. Ou seja: você foi invadida, deslocada e ainda ficou com a tarefa de verificar se estava sendo enganada.

O sonho do quarto a mais é cirúrgico. Nele, há espaço sobrando — mas é um espaço que não é seu. Alex tem um quarto inteiro só para ele, e ainda assim você precisa dividir o outro com ele. É a imagem exata do que está vivendo: você sente que não tem um território próprio, nem mesmo dentro de você. Aliás, o sonho fala explicitamente de ‘territórios’, então sua mente está fazendo um trabalho claro de tentar processar isso: onde começo eu? Onde termina o outro? O que é meu?

Isaac veio para o sofá, e alguém chamava você na janela de madrugada, mas você não conseguia se levantar. Essa paralisia no sonho diz muito: há uma demanda externa (alguém chamando) que você sente que deveria atender, mas seu corpo se recusa. Até que você acorda e vai até a janela — e lá fora, o que encontra? Não sabemos. Mas o movimento de acordar para ver é o mesmo que fez ao ligar para seu marido: você foi conferir a realidade, testar se o que sentia tinha fundamento.

A conversa com sua mãe — o carro cantando pneu — foi o ápice. Ali você não só perdeu o território simbólico, como literalmente arrancou o carro daquele lugar com violência. Foi um ato de expulsão: ‘não quero mais estar aqui, não quero mais conter isso’.

E seu corpo, que sempre registra o que a mente tenta administrar, atrasou dois dias e veio com dor de cabeça e irritação. O ciclo veio junto com a garoa fina lá fora: uma paisagem de exaustão, de algo que não vira tempestade nem se resolve, só molha devagar.

Sobre Gabriel distante, e os outros dois não terem dormido em casa: seus filhos estão, cada um, construindo seus próprios territórios longe de você. Isso é esperado, mas soma ao sentimento de que todos estão ocupando espaços que não são o seu, ou saindo do seu.

O que é mais profundo e revelador aqui não é a desconfiança do seu marido, nem o conflito com sua mãe, nem o cansaço — é que você passou a noite inteira tentando achar um lugar que fosse só seu, onde você pudesse descansar sem ser demandada, e não encontrou.

Você dormiu na cama dos outros (Isaac), no sofá, teve um sonho com um quarto que não era seu, e acordou para atender chamados. Não sobrou um espaço onde você simplesmente fosse.

Então a pergunta que fica não é ‘o que fazer com cada um deles’, mas: onde, nessa casa e nessa vida, você vai cavar um território que ninguém atravessa sem pedir licença? Porque enquanto esse lugar não existir, suas noites vão continuar sendo ocupadas, seus sonhos vão falar de espaço, e seu corpo vai cobrar o preço de estar sempre à disposição.”



Agora, já são 6:12 e você precisa ir levar o Isaac. Mas talvez hoje, no meio da garoa e do cansaço, você possa fazer um movimento mínimo: tomar aquele banho não como mais uma tarefa, mas como o primeiro território reivindicado hoje. Água quente, só sua, mesmo que por dez minutos.

A Estação

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