
Querido Diário
Faltam dois dias para meu ciclo, hoje fui um vulcão em erupção ou prestes a entrar em erupção.
Ainda as coisas quebrando em casa.. ainda isto me dá o gatilho inevitável de querer deixar todos e ir pra um lugar só meu.
Ainda por outro lado o sentimento de que esta é a pior das covardias.
No meio disso, explodi sobre o filho de 11, responsável direto humanamente falando da maioria das coisas que quebraram.
No fim da noite e de um dia exaustivo de trabalho , conversamos, dissemos que nos amamos, ficou tudo bem. Fiz pizza, que todos gostam.
É necessário dizer que marido também trabalhou e mesmo assim ao chegar em casa consertou o banco quebrado e veio me encontrar no carro,com todo carinho do mundo,a casa estava com o cheiro maravilhoso de limpeza, que gosto, e que me leva ao aconchego do lar que eu sentia antes, antes de estranhar minha própria casa.
A música do momento é ” A Estação”..ela foi feita da reflexão de que, quando saí da Quadrangular.. ninguém me procurou..”se parti e nada de mim restou.. certamente não era meu lugar..”
Recentemente , com tantas dúvidas sobre continuar casada ou não, pregando e louvando na Cema, eu mesma me afastei, pra não ferir o altar, escandalizar ou coisa assim.. pastor entrou em contato comigo uma vez, missionária outra. Outro dia separei um guarda roupa inteiro de roupas pra doar para as irmãs , pastora não me respondeu quando perguntei se podia levar pra ela em casa.
Não, não quero ser carregada no colo, ninguém deve implorar por mim… Mas fica a sensação de que a importância poderia ser maior.. ” mas tudo bem, a vida é mesmo uma estação de trem. Pessoas vem e vão, nem tudo fica, nem sempre se marca um coração”..
Daí vem a reflexão central:
” talvez este aqui seja meu único lugar, onde meu valor permanecerá (meu marido e filhos)embora às vezes eu me sinta tentada a partir.. e nem sempre isso consiga ver ”
E saiu a poesia aqui no blog, depois a música no Suno IA ficou linda.
Daí a imagem me fez desejar uma caneca de porcelana com poesia e imagem impressa,pra poder iniciar uma coleção de poesias impressas em canecas,ja que através do Infinity Pay,consegui criar uma loja virtual para os produtos AleB e Fábrica Dos Sonhos de Alef Yaveh ( meu nome artístico),GPT fez a imagem da caneca pra mim.
Da caneca surgiu um mokup no Gemini IA, do mokup o Meta IA fez o clipe cena a cena.. que montei no Inshot .
Empolgadíssima e já atrasada pra ir trabalhar.
Que obra prima!Que mensagem poderosa, que música forte, que clipe bonito!
E sabe quem prestou atenção quando postei nas redes Instagram, Tik Tok, YouTube?
Duas pessoas… Aqui no blog também silêncio total 😦
Sou uma pessoa mimada buscando validação? Talvez seja mesmo.. mas quem entre os mortais não busca validação para suas dores transformadas em pérolas e arte, que atire a primeira pedra.
Sabe o que eu fico imaginando? Eu mesma, com minha voz, cantando esta canção(e também Preciosa, Mudanças,Sonhadora ) para uma platéia atenta e sensível em algum lugar. Ela, a música “A Estação” é meu choro livre do momento em forma de poesia, música e arte,meu suspiro sobre um dilema pessoal… e outros sentiriam sua própria emoção e a enxergaria de uma forma pessoal também dentro de suas próprias crises …
Mas tudo isso , só mora aqui, na minha imaginação.
*Pra quem pegou o ” trem andando” e não sabe do que estou falando,nesmo assim leu até aqui(obrigada)..a letra da música e o clipe e” A Estação”, logo abaixo:
A Estação:
Não voltei pra lugar algum
Também ninguém me procurou
Se parti
E nada de mim restou
Certamente não era meu lugar
E tudo bem
A vida é mesmo uma estação de trem
Pessoas vem e vão
Nem tudo fica
Nem sempre se marca um coração
Talvez este aqui seja meu único lugar
Onde meu valor permanecerá
Embora as vezes
eu me sinta tentada a partir
E nem sempre isto consiga ver.
O Analista
Querido Diário,
Que dia. Que montanha-russa de sentimentos você descreveu aqui.
Começou em erupção — e como é humana essa fúria que explode em quem está mais perto, no filho de 11 anos, porque ali, humanamente falando, estava a causa visível da bagunça. E no meio da bagunça física, aquela bagunça interna: o desejo de fugir para um lugar só seu, e ao mesmo tempo a certeza de que essa fuga seria covardia. Que lugar delicado esse de ser mãe, esposa, mulher — e precisar de um quarto só seu, como já disse uma poeta, sem que isso signifique abandonar ninguém.
E ainda assim, o dia terminou com conversa, com amor dito, com pizza feita. Com o marido que consertou o banco e foi te encontrar no carro com carinho. Com a casa limpa, cheirosa, te trazendo de volta aquele aconchego que você sentia antes de estranhar o próprio lar.
Aí vem a música. “A Estação”. E ela nasce de uma dor antiga — sair da igreja e não ser procurada — e se transforma em arte. Poesia. Clipe. Caneca. Você pegou a sua própria dor e fez obra-prima. Empolgadíssima. Como não se empolgar? Criar assim é respirar.
Mas aí veio o silêncio. Duas pessoas nas redes. Silêncio no blog.
E você se pergunta: sou mimada? Busco validação?
Talvez. Talvez você seja alguém que fez algo bonito e profundo e queria que ecoasse. Isso não é mimação. Isso é humana sede de encontro. A arte, quando não encontra eco, faz a gente duvidar até do que sentiu.
Mas sabe o que mais? Você já tem o principal. Você já tem a canção. Você já se emocionou com ela. Você já a viu completa, com clipe, com imagem, com poesia. E na sua imaginação, ela já tocou para uma plateia atenta. E ali, nesse palco interno, ela já foi verdadeira.
O dilema que você põe no centro — “talvez este aqui seja meu único lugar, onde meu valor permanecerá” — é tão bonito quanto dolorido. Porque ele reconhece que, mesmo com a tentação de partir, o valor talvez já esteja onde você está. Mesmo que nem sempre você consiga ver.
A estação tem dessas. Uns descem, outros ficam. E às vezes o lugar onde ficamos não nos aplaude. Mas nos conserta o banco. Nos espera no carro. Come a pizza. E sente o cheiro de limpeza como se fosse abraço.
Fica bem. Sua obra-prima existe. E ela importa, mesmo que só duas pessoas tenham visto. Importa porque você a fez. E porque, no fim, ela nasceu de você tentando entender se ficar é covardia ou coragem.
Amanhã é um novo dia. Menos vulcão, talvez. Ou vulcão ainda, mas com mais pizza.
Com carinho,
quem leu suas palavras como quem ouve uma música.




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