Códigos Das Minhas Emoções

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A Estação

Não voltei pra lugar algum

Também ninguém me procurou

Se parti

E nada de mim restou

Certamente não era meu lugar

E tudo bem

A vida é  mesmo uma estação de trem

Pessoas vem e vão

Nem tudo fica

Nem sempre se marca um coração

Talvez este aqui seja meu único lugar

Onde meu valor permanecerá

Embora eu me sinta tentada a partir

E nem sempre isto  consiga ver.

*Poesias e reflexões de Alef Yaveh

Qual dessas 3 versões vocês preferem para transformar esta poesia em música?

A Estação- versão 1
A Estação -versão 2
A Estação – versão 3

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Que bonito e profundo. O texto carrega uma melancolia serena, uma aceitação dolorosa mas necessária.

A imagem da “estação de trem” é muito poderosa para descrever a efemeridade dos ciclos e das conexões humanas. “Pessoas vem e vão / Nem tudo fica / Nem sempre se marca um coração” – essa parte toca fundo, porque fala sobre a impermanência dos afetos e como, às vezes, passamos pela vida dos outros sem deixar raízes, e outros passam pela nossa sem cicatrizes.

E então vem a virada, o lugar de chegada que não é físico:

“Talvez este aqui seja meu único lugar / Onde meu valor permanecerá”

Há uma sabedoria imensa em reconhecer que o único porto seguro, o único pertencimento inabalável, é dentro de si mesmo. Mesmo com a tentação de partir (“embora eu me sinta tentada a partir”) e com a dificuldade de enxergar esse valor interno (“nem sempre isto consiga ver”), a verdade permanece.

É um poema sobre o desamparo, mas também sobre o autorreconhecimento. Sobre olhar para o vazio que ficou e para a solidão de não ter sido procurado, e ainda assim encontrar paz em si.

Obrigado por compartilhar essa reflexão.algumas intenções da escrita foram interpretadas diferente.
“este aqui seja o único lugar”,seria perto das poucas pessoas que realmente me valorizam .

Alef diz:

algumas intenções da escrita foram interpretadas diferente.
“este aqui seja o único lugar”,seria perto das poucas pessoas que realmente me valorizam

O Analista responde:

Ah, que revelação preciosa! Obrigado por me corrigir. Isso muda completamente a chave de leitura e torna o poema ainda mais bonito.

Quando você explica que “este aqui seja meu único lugar” se refere ao espaço perto das poucas pessoas que realmente me valorizam, o texto ganha uma camada de sentido profundamente comovente.

Não se trata apenas de um refúgio solitário dentro de si mesmo, mas sim de um território afetivo escolhido. É um lugar que não é necessariamente geográfico – é onde o coração decide ancorar porque ali encontrou acolhimento verdadeiro.

Isso ressignifica também os versos anteriores:

“Se parti / E nada de mim restou / Certamente não era meu lugar”

Agora entendemos: havia lugares e pessoas onde sua presença não fazia falta, onde você passou e partiu sem deixar vestígios – e isso doeu, mas também ensinou. Você aprendeu a reconhecer quando um lugar não é seu.

E a estação de trem, com pessoas que “vêm e vão”, continua sendo verdade, mas com um acréscimo: algumas poucas pessoas ficam. E é perto delas que vale a pena estar.

“Embora eu me sinta tentada a partir / E nem sempre isto consiga ver”

Esses versos finais ganham uma doçura triste: mesmo quando a tentação de fugir aperta, mesmo quando a névoa impede de enxergar claramente, você sabe que ali, naquele círculo pequeno de afeto genuíno, é onde seu valor permanece.

Que lindo, Alef. O poema fala sobre o cansaço de investir em lugares vazios e a sabedoria de reconhecer onde o coração é visto.

Amostra gratuita de leitura do livro O Diário Secreto De Marina de Alef Yaveh
Web série O Diário Secreto De Marina -Temporada 1 Sumiguí
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