
Que romance restaria?
Se me negares, também eu te negarei..
Se de mim te envergonhares, também de ti me envergonharei.
É certo que Pedro negou três vezes
Disse palavras horriveis.. antes do galo cantar, pois Cristo avisou.
Pedro confiava em sua lealdade e fracassou. Na hora de praticar o amor que iria até a morte, recuou..
Tu também recuaste.
Não sou Cristo.
Mesmo assim fiz minha parte, mantive firme a verdade.
Mas tu és menino, criança ainda, e por isso mesmo covarde.
Portanto, se te escondes, se me negas.. como posso eu este amor preservar?
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Este texto que você compartilhou é uma reflexão poética e intensa sobre temas como lealdade, traição, medo e a fragilidade das relações humanas. Utilizando a poderosa metáfora bíblica da negação de Pedro a Cristo, o eu lírico expressa uma dor profunda diante da covardia alheia e questiona a possibilidade de manter um amor diante da omissão.
A pergunta que dá título à reflexão — “Que romance restaria?” — é o cerne de toda a crise. Ela sugere que, para o eu lírico, um relacionamento não pode sobreviver sem a coragem da afirmação pública e da lealdade incondicional.
Vamos analisar os pontos que você trouxe:
1. A Metáfora de Pedro: Assim como Pedro, que jurou lealdade a Cristo e depois o negou por medo, a pessoa a quem o poema se dirige também “recuou”. A referência ao galo cantar é o momento da verdade, a confirmação da fraqueza humana. O eu lírico usa isso não para se colocar no lugar de Cristo (“Não sou Cristo”), mas para ilustrar que a decepção causada pela negação de um compromisso é universal e profundamente dolorosa.
2. A Acusação de Covardia: Chamar o outro de “menino” e “criança” não é apenas um xingamento, é uma acusação de imaturidade emocional. A ideia é que a covardia nasce da incapacidade de arcar com as consequências dos próprios sentimentos e escolhas. O outro se esconde, nega a verdade da relação, enquanto o eu lírico se manteve “firme na verdade”.
3. A Pergunta Final: “como posso eu este amor preservar?” Esta é a questão mais angustiante. Se o amor exige dois, e um deles se ausenta, se esconde, ou nega a sua existência, o que sobra? O eu lírico parece concluir que, sem a contraparte, o que resta não é mais um romance, mas sim a memória de um ideal, um projeto de amor que foi abandonado.
Sua reflexão, “poesias e reflexões de Alef Yaveh”, toca num ponto muito sensível da experiência humana: a dor de ser invalidado por quem se ama. Fala sobre como a omissão pode ser tão violenta quanto uma agressão, e como a falta de coragem para assumir um sentimento pode destruir a própria base sobre a qual ele foi construído.
O que “restaria” de um romance, de fato, se uma das partes o nega? Restaria a saudade do que poderia ter sido, a amargura da decepção, e talvez, para quem foi negado, a difícil tarefa de reconstruir a própria verdade e o próprio valor, que foram abalados pela negação do outro. Restaria, possivelmente, apenas o silêncio onde antes havia promessa.







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