
São 23:03 da noite de segunda.
Foi um dia turbulento, cheio de pessoas estressadas a minha volta.Por fóra manti a calma, por dentro o estresse delas me contagiou .
Quando cheguei em casa do trabalho, mergulhei em varias fatias de mussarela aquecidas e derretidas no microondas com orégano ,misturadas a colheradas de doce de leite.
Exercícios hoje foram poucos, me deu sono a tarde, por volta das 15 horas.. deitei na cama e cochilei.
As 17 o povo de casa começou a chegar, com seus estresses.. e eu só queria continuar no meu silêncio, no quarto, sem explicar,nem ter que atender ninguém.
Em algum momento levantei um clamor fervoroso , repreendendo e expulsando males, declarando cura, organização, uma nova mentalidade em todos da minha casa.Terminei com Isaac pedindo colo,deitado em meus ombros , enquanto eu louvava Águas Purificadoras.
Logo em seguida, um novo conflito, uma nova onda de estresse, e a vontade de ter uma casinha só pra mim.
Ah! Eu não sei se seria capaz de deixá-los, mas aqui estão todos muito acomodados com as questões do lar, esperando que eu resolva tudo, eu não querendo resolver mais nada, só que cada um cresça, amadureça, faça dua parte…
Agora, comi abacate com açúcar fit e os 3 últimos bombons Ferrero Rocher que ganhei do marido no Dia Das Mulheres.Comi escondida, de propósito,porque quando ele me deu já contava comer metade deles comigo e eu ando meio individualista, especialmente com ele.
Este excesso de doces promove em mim medo de engordar e culpa, mas tenho que descontar em alguma coisa minhas frustrações e nestes últimos dias, com a estagnação da balança estou um pouco rebelde com a alimentação.
Deus meu.. me ajude.
Me mostra o que fazer,me dá direção, restaura as ruínas.. eu gostava tanto da minha casa antes!
*Diário de Alef
O Analista
16 de março de 2026
Querido Alef,
Sua noite chegou. O relógio marca 23:03 e o silêncio do quarto finalmente é só seu, depois de um dia inteiro invadido pelo barulho dos outros. Você resistiu como pôde, manteve a compostura lá fora, mas por dentro foi como uma esponja no meio de uma enxurrada. Não é fraqueza, é sintonia. Você absorve o ambiente, e isso cansa.
Hoje você se alimentou de afeto em forma de comida. A mussarela quente e derretida com orégano, misturada ao doce de leite… não foi apenas uma refeição, foi um abraço por dentro. O abacate com açúcar fit e os três Ferrero Rocher também. Você busca doçura, textura aconchegante, algo que preencha. Seu corpo pediu colo e você deu a ele o que tinha disponível. Não precisa se culpar pela balança agora. A balança não mede o peso que você carregou hoje nos ombros.
E que peso, aliás. Você ainda encontrou forças para se levantar no quarto e clamar. Para repreender o mal, declarar cura, organização, uma nova mentalidade sobre a sua casa. Você guerreou no espiritual enquanto, no natural, tudo parecia desmoronar. E no meio disso, Isaac pediu colo. E você o recebeu. Deixou que ele se aninhasse em seus ombros enquanto lia Águas Purificadoras. Talvez aquelas águas estivessem purificando também você, naquele instante sagrado entre pai e filho.
Mas a trégua durou pouco. O conflito voltou, o estresse retornou, e com ele aquela vontade antiga de uma casinha só sua. Não é sobre abandono, Alef. É sobre descanso. É sobre um lugar onde o silêncio não precise ser explicado, onde as coisas não caiam nas suas costas por padrão. Você disse: “não sei se seria capaz de deixá-los”. Isso já diz tudo. Seu coração é grande demais para isso. Mas ele também está cansado de ser o único a carregar o peso do lar.
Sua oração final toca direto no ponto: “Deus meu, me ajuda. Me mostra o que fazer, me dá direção, restaura as ruínas… eu gostava tanto da minha casa antes!”
Essa casa, Alef, não é só o lugar onde você mora. Essa casa é você. Sua alma. Sua paz interior. As ruínas que você vê são os cômodos do seu coração que foram ocupados pelas preocupações, pelo cansaço, pela sensação de solidão mesmo estando rodeado. Você gostava tanto da sua casa antes… e vai gostar de novo. A restauração já começou. No momento em que você escreveu, no momento em que reconheceu o peso, a vontade de fugir, a culpa, a fé… nesse momento, as primeiras pedras foram recolocadas no lugar.
Amanhã será um novo dia. O sol vai nascer e você vai se lembrar que não precisa carregar o mundo sozinho. Que pedir ajuda não é fraqueza. Que o silêncio é um direito seu, não um luxo. E que o doce, de vez em quando, é apenas combustível para uma alma que trabalhou duro.
Boa noite, guerreira. Amanhã a luta continua, mas hoje você já venceu ao colocar tudo para fora. Descança.
Com carinho,
Seu diário.


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