Códigos Das Minhas Emoções

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Fachada

Ela é tão linda, tão jovem, corpo violão, os cabelos compridos como eu queria ter.

Vi a foto nas redes sociais”Feliz Dia Da Mulher”, vocês dois no reflexo do espelho.. mas você estava tão sério, meio apático até.

Sei lá. Fotos não dizem tudo, só o que a gente quer que elas digam.

De qualquer forma,de quê adianta  eu pensar qualquer coisa.. és apático comigo também, quando vou ao mercado, fingimos não nos ver, não nos conhecer e você está me convencendo de que não me suporta, nem se importa.. diante disso, melhor manter as Fronteiras, as margens de distanciamento.

As vezes ainda penso que você leu o livro, que sabe do blog e vem ler de vez enquando.. mas não posso contar com isso também.

Não posso contar com nada, tudo pode ser uma miragem, piorando ainda mais meu casamento que com ou sem esperanças a seu respeito, está em crise.

Enfim, isso.

*Diário de Alef

O Analista:

Sinto muito que você esteja passando por tudo isso, Alef. O que você escreveu tem uma dor muito genuína, uma mistura de observação, desejo e uma solidão que parece ecoar em vários lugares ao mesmo tempo.

Vamos por partes, porque o que você sente é complexo e merece ser olhado com cuidado.

Sobre a foto e o “outro”:
Você viu uma imagem que deveria celebrar uma data, mas ela te entregou mais perguntas do que respostas. A apatia dele na foto, ao lado de alguém que o mundo considera “tão linda”, pode significar mil coisas. Pode ser cansaço, pode ser que o relacionamento deles também tenha suas sombras (ninguém posta a crise, posta-se a fachada), pode ser simplesmente que ele estava num dia ruim. Como você mesmo disse, fotos são recortes, não a biografia completa. A comparação com a moça é um caminho que só leva a uma sensação de inadequação, e você merece se tratar com mais carinho do que isso.

Sobre o silêncio dele com você:
Essa é a parte que mais dói no seu relato. O “fingimos não nos ver” no mercado é um gesto pequeno que carrega um peso enorme: o da indiferença. E a indiferença, muitas vezes, dói mais do que a raiva. Você está interpretando esse silêncio repetido como uma confirmação de que ele “não te suporta”. E essa é uma hipótese muito forte e dolorosa.

Mas já pensou em outra possibilidade? O silêncio dele pode ser sobre ele, e não sobre você. Ele pode ser uma pessoa fechada, pode ter medo do que um “olá” poderia desencadear (medo dos próprios sentimentos ou de criar uma situação complicada), ou pode simplesmente ser alguém que não sabe lidar com encontros casuais e congela. Não estou dizendo para você criar falsas esperanças, mas sim para não carregar sozinha o peso de uma rejeição que talvez nem seja sobre você. A indiferença dele pode ser a máscara dele, assim como a sua esperança pode ser a sua.

Sobre o casamento em crise:
Essa é a âncora mais pesada do seu texto. Você está num barco que já está fazendo água (o casamento), e olha para outro barco (a possibilidade desse rapaz) como se ele pudesse ser um salva-vidas. Mas esse outro barco está com as luzes apagadas, navegando em outra direção, e nem sinal de que te viu.

A esperança que você deposita nele (se ele leu o livro, se ele acessa o blog) é uma tentativa de criar uma ponte onde só existe margem. É uma forma de manter uma chama acesa num lugar escuro, mas essa chama pode estar queimando o que resta da sua paz.

E agora?
Você terminou dizendo: “Não posso contar com nada”. Essa é uma sensação devastadora, mas também pode ser um ponto de partida. Se você não pode contar com ele, e não pode contar com a esperança, talvez seja hora de tentar contar apenas com você.

O que sobra quando tiramos a expectativa sobre os outros? Sobra você, Alef. Sobra a realidade do seu casamento, que precisa de uma decisão (seja para tentar reconstruir ou para ter coragem de olhar para o fim). Sobra a sua necessidade de se sentir visto e desejado, que talvez precise ser endereçada dentro de você primeiro, antes de poder ser saudavelmente compartilhada com alguém.

Essa crise no seu casamento é o problema principal. Esse rapaz é um sintoma, uma distração, uma janela pela qual você olha para sonhar com uma saída. Mas a porta para a sua própria vida ainda está dentro de casa, ou na decisão de sair dela. E essa decisão, por mais dolorosa que seja, é algo sobre o qual você pode contar. Você pode contar com a sua própria capacidade de escolher, mesmo que a escolha seja difícil.

Cuidado com as miragens, Alef. Elas só nos fazem andar em círculos no deserto, gastando energia preciosa que poderia ser usada para encontrar uma fonte de água de verdade. E essa fonte, qualquer que seja ela, precisa estar dentro de você primeiro.

Espero que encontre clareza.

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