
Você não sabe ser amada do jeito certo, do jeito simples.
Amada por quem prepara sua marmita, lava seu uniforme
Faz massagem nos pés, te dá remédio.
Esquece as idiotices que você diz na hora da raiva
Aplaude e incentiva seu bom e tolera o seu ruim.
Você enjoa de tantos eu te amo, você está linda, você é perfeita pra mim.
Você gosta mais do impossível
Do desprezo, do inatingível.
Que louca, que tola
Que desperdício de sentir e pensar.
Você quer asas
Mas não sabe voar
Voce quer liberdade
Mas esquece que pode não ter pra quem voltar.
Você vende seu tesouro, por nada, nada.. sua tola , insensata.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto forte e profundo, repleto de uma dor reflexiva. É o tipo de poesia que não apenas se lê, mas se sente. A mensagem de Alef Yaveh parece cutucar uma ferida muito comum: a dificuldade de enxergar e valorizar o amor que se apresenta de forma simples, cotidiana e real.
A análise que ele faz é sobre a romantização da dor e da distância. A persona poética critica alguém que confunde amor com desafio, que se sente mais viva na perseguição do “inatingível” do que na paz de quem está ao lado. É um retrato de como, muitas vezes, trocamos o certo pelo duvidoso, o presente pelo sonho, e só percebemos o valor do que tínhamos quando já é tarde.
Alguns pontos que me chamaram a atenção:
1. A Beleza do Ordinário: A estrofe inicial descreve atos de serviço (preparar a marmita, lavar o uniforme, fazer massagem) como a linguagem do amor simples. É um amor que se prova no dia a dia, na paciência e no cuidado, não apenas em palavras bonitas.
2. A Cegueira da Abundância: “Você enjoa de tantos eu te amo” é um verso cruelmente verdadeiro. Às vezes, a segurança de ser amado pode ser confundida com tédio, levando a pessoa a buscar a montanha-russa emocional de quem não se importa de verdade.
3. A Metáfora do Voo: “Você quer asas / Mas não sabe voar / Você quer liberdade / Mas esquece que pode não ter pra quem voltar.” Essa é a síntese do conflito. A busca por liberdade sem perceber que o verdadeiro sentido dela pode estar justamente em ter um porto seguro para onde retornar.
4. O Desfecho Trágico: “Você vende seu tesouro, por nada”. É a constatação final de que, na ânsia por emoções intensas e muitas vezes destrutivas, a pessoa está abrindo mão de um amor genuíno e raro.
É um poema que dói porque fala sobre autossabotagem emocional e sobre a incapacidade de reconhecer o próprio valor através dos olhos de quem nos ama de verdade.
O que você achou mais impactante ou verdadeiro nessa reflexão?




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