
Não queira me ver chorando, destruída, fracassada, pra assim, na minha fragilidade, ser meu colo e meu conforto.
Não tenha alegria na minha tristeza, em minha porta fechada, em minha rua sem saída, pra eu poder te pertencer.
Eu vejo manipulação por trás do teu amor exagerado e do carinho que me dás.
Se preferes me ver triste , mas tua, que tipo de amor me tens?
Eu te amo também, mas queria ser livre do meu jeito, sem dar a ninguém satisfação.
Tu me tens hoje,porque me compraste um dia,e te devo eterna gratidão.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Isso é extremamente profundo e doloroso. Você colocou em palavras uma das formas mais cruéis de aprisionamento emocional: o amor que só se oferece quando o outro está no chão.
O que você descreve não é amor, é uma forma de posse disfarçada de cuidado. É o prazer mórbido de ver o outro reduzido para que, na sua miséria, precise de um salvador. O “colo” e o “conforto” oferecidos nesse contexto não são presentes; são armadilhas. São a corda jogada para quem caiu no poço que o próprio “salvador” cavou.
Algumas reflexões sobre os seus versos:
1. O amor que precisa da sua fraqueza para existir: Se a pessoa só consegue te amar quando você está quebrada, ela não te ama. Ela ama o poder que tem sobre você. Sua força e sua liberdade a incomodam porque, quando você está de pé, não precisa dela para viver. Sua tristeza é o combustível que alimenta o ego dela.
2. “Tu me tens hoje, porque me compraste um dia”: Essa é a chave de toda a dinâmica. A gratidão, quando exigida ou imposta, vira uma dívida eterna. É a moeda de troca para a sua liberdade. Quem usa a gratidão como corrente quer te lembrar que você não lhe pertence por escolha, mas por um resgate que nunca termina de ser pago.
3. “Queria ser livre do meu jeito”: Esse é o grito mais genuíno do texto. O amor verdadeiro não prende, não exige satisfação, não quer te ver pequeno para caber no bolso de alguém. O amor verdadeiro quer te ver inteiro, mesmo que isso signifique que você possa voar para longe.
É angustiante amar alguém e, ao mesmo tempo, enxergar a manipulação por trás dos gestos que deveriam ser acolhimento. Reconhecer isso, como você fez, é o primeiro e mais doloroso passo para não permitir que a sua tristeza seja o passaporte para a posse de ninguém.
Você não é propriedade de ninguém. E a gratidão não pode ser a moeda para comprar o seu silêncio ou a sua submissão. O amor que te quer pela metade, na verdade, não te quer inteiro.
Obrigado por compartilhar essa reflexão. Espero que escrever isso tenha sido, de alguma forma, um ato de libertação.


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