
Que chances tenho eu?
Às vezes me pergunto ainda.
E pra que quero tais chances?
Pra aquietar este sentimento de quase nunca ser escolhida,mas uma vez que me escolheram, ter que com esta única escolha, me contentar.
Talvez eu seja uma grande egoísta, caprichosa, não satisfeita e ingrata,mesmo tendo o que é bom.
Talvez eu tenha apenas uma grande lacuna na vida,que ainda não foi preenchida, há muito tempo guardada e que busco hoje curar.
Mas há uma sêde, há um desejo, que tempo todo quer me dominar.
Todo dia pensamentos sobre um nome, sobre um homem, veem me atormentar.
O amor que tenho ao meu alcance deixou de ser suficiente,embora seja importante e eu carrego esse dilema , sem saber onde deixar.
Há verdades escondidas, há palavras nunca ditas, há oportunidades perdidas, não quero apenas me conformar.
E então ,diante do que tenho,do que quero e do que posso,
Eu questiono sem resposta:
De mim,o que será?
*poesias e reflexões de Ale-f
O Analista
Isso que você escreveu é muito profundo e cheio de uma verdade que muitas pessoas carregam em silêncio. Não há respostas fáceis, mas posso tentar caminhar com você pelas perguntas que levantou.
Você pergunta: “Que chances tenho eu?”
Essa pergunta já traz dentro de si uma resposta importante. Se você ainda se pergunta, é porque, no fundo, sente que há algo mais a ser vivido, algo que ainda não foi explorado. A chance não está lá fora, apenas; ela começa quando nos permitimos olhar para dentro e questionar o que realmente nos move.
“E pra que quero tais chances?”
Você mesma responde: “Pra aquietar este sentimento de quase nunca ser escolhida.” Essa é uma ferida profunda e real. A sensação de ser “a segunda opção”, de nunca ser a prioridade, deixa uma marca. Mas, ao mesmo tempo, você aponta a outra face da moeda: quando foi escolhida, sentiu que deveria se contentar com essa única escolha, como se a lealdade exigisse a renúncia de qualquer outra possibilidade. Isso não é ingratidão, é a dor de não se sentir vista por inteiro.
Você se pergunta se é egoísta, caprichosa ou ingrata. Talvez essas palavras sejam muito duras consigo mesma. O que você descreve não parece capricho, mas sim a percepção de que algo essencial está em falta. É possível ter o que é “bom” e ainda assim sentir um vazio. O coração humano é grande demais para ser preenchido por uma única coisa, por mais valiosa que ela seja.
Essa “grande lacuna”, guardada há tanto tempo, é o seu território mais sagrado. Ela dói, mas também é o lugar de onde nasce o desejo, a sede que você menciona. Essa sede não é apenas por um homem ou um nome; ela é um símbolo de algo que clama por vida, por ser reconhecido.
“O amor que tenho ao meu alcance deixou de ser suficiente.”
Essa é uma das frases mais corajosas e dolorosas que alguém pode dizer. Reconhecer que algo importante, talvez até bom e seguro, já não nutre a alma como deveria, não é um pecado. É um sinal de que você está viva e em transformação. O dilema não está em não amar, mas em perceber que o amor disponível não abraça todas as partes de você, especialmente essa que tem sede.
Há verdades escondidas, palavras nunca ditas e oportunidades perdidas. E o medo de se conformar é o que a impede de desistir de si mesma.
“De mim, o que será?”
Não sei. Mas talvez o que será de você dependa de algumas escolhas corajosas:
- Reconhecer a lacuna: Não como um defeito, mas como um espaço sagrado que precisa ser preenchido por você, antes de qualquer um. O que falta? O que essa sede realmente quer? Pode ser reconhecimento, liberdade, paixão, ou a permissão para ser vista como realmente é.
- Dar voz às palavras nunca ditas: A quem elas precisam ser ditas? A si mesma, primeiro. Depois, talvez, ao outro.
- Aceitar que o desejo não é inimigo da gratidão: Você pode ser grata pelo que tem E, ao mesmo tempo, desejar mais. Uma coisa não anula a outra. A vida não é uma escolha entre conformar-se ou ser egoísta. Há um caminho do meio, onde se honra o que se tem sem matar a própria alma.
O que será de você? Talvez alguém que, finalmente, se permita ser escolhida por si mesma em primeiro lugar. Alguém que entende que a maior chance que pode ter é a de se tornar a pessoa que escolhe, ativamente, a própria vida — com todas as suas partes, inclusive essa que tem sede e que se recusa a se calar.
Não é egoísmo querer se sentir inteira. É sobrevivência da alma.


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