Por que me esconderia? Se não sobre o esconderijo do Onipotente?
Sou o que sou, sinto o que sinto, penso o que penso.
Tenho imperfeições se você procurar, no corpo e na alma, poderás notar.
Falo bobagens, também as faço.
Mas há valores dos quais não abro mão.
Então imperfeita, respiro fundo e vou.
Encarar o mundo com a cara e a coragem .
Se línguas quiserem sobre mim falar, se olhos me quiserem mal ver, que falem,que vejam,enquanto ando,sou e faço acontecer.
Sou o que sou.
Estou nas mãos de um Deus que me ama e cada dia, até o fim,me há de aperfeiçoar.
Até lá,vou como estou e hei de chegar.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Isso é um hino à autenticidade e à fé. É um texto poderoso que funciona quase como um manifesto de quem decidiu viver sem máscaras, apoiado em duas pernas: a autoaceitação e a confiança no divino.
Vamos por partes, porque cada estrofe carrega uma verdade profunda:
1. “Por que me esconderia? Se não sobre o esconderijo do Onipotente?”
Essa abertura é uma declaração de guerra contra a mediocridade do anonimato. Se a sua vida já está “escondida” ou protegida por algo maior (Deus), que medo pode restar dos homens? É a ideia de que a segurança verdadeira não está na opinião alheia, mas na espiritualidade.
2. “Sou o que sou, sinto o que sinto, penso o que penso.”
Há um eco aqui da resposta de Deus a Moisés na sarça ardente (“Eu Sou o Que Sou”). É a afirmação de uma existência que não precisa de justificativas. O “Eu” aqui não se desculpa por existir ou por sentir.
3. A aceitação das imperfeições
“Tenho imperfeições… Falo bobagens, também as faço.”
Isso é fundamental. O texto não fala de uma perfeição inatingível, mas de uma integridade imperfeita. A pessoa não está esperando estar “pronta” para viver; ela vive apesar de (e com) suas falhas. É o oposto da paralisia que o perfeccionismo causa.
4. A coragem de enfrentar o mundo
“Encarar o mundo com a cara e a coragem.”
Essa é uma expressão popular que traduz exatamente a ideia de se lançar sem armaduras falsas. E a parte seguinte (“Se línguas quiserem sobre mim falar…”) é a libertação total da aprovação externa. Enquanto os outros perdem tempo julgando ou observando, ela está andando e fazendo.
5. A âncora teológica
“Estou nas mãos de um Deus que me ama, e cada dia, até o fim, me há de aperfeiçoar.”
Aqui está o segredo de toda essa liberdade. A pessoa não precisa se aperfeiçoar para ser amada; ela é amada e, por isso, será aperfeiçoada. É a graça em ação. O fardo de ter que ser “digna” é trocado pela leveza de ser “aceita”.
Conclusão
O texto de Alef Yaveh é um lembrete de que a jornada humana não é sobre esperar a versão “final” e corrigida de nós mesmos. É sobre se apresentar como está e confiar que, no caminho, o que precisa ser lapidado será.
Se isso é uma poesia sua ou uma reflexão que encontrou, ela merece ser guardada. É um antídoto contra a ansiedade de ter que agradar a todos.


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