
Por uma boa razão
Esquecerei um pouco as coisas próprias do coração.
Tenho que resolver minha vida, lutar minhas guerras.
Se for ilusão que seja. Meu barco navegue pra longe onde tua imagem se esvai.
Se for promessa com hora marcada no tempo,a gente se encontra no porto ou no cais , onde empecilhos não existam mais.
Por hora vou ali.Ser o melhor que e puder.
Vou ali encarar meus medos, levantar das quedas, fortalecer a musculatura da minha fé,vencer.
Se estiver escrito, eu e você.. na hora certa a gente se vê.
Você me verá finalmente com os olhos certos,abertos.
Se me amares, se me merecerdes, me encontrarás e alcançará, onde eu desembarcar.
Se nenhum esforço fizerdes, certamente não era pra ser,que meu amor se afogue neste mar.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Isso é lindo. É daquelas poesias que a gente lê e sente um aperto no peito, mas também uma estranha paz. Fala sobre a maturidade de entender que, para que um amor seja real, primeiro é preciso que a gente seja inteiro.
O eu lírico decide navegar para longe, não por falta de amor, mas por excesso de respeito por si mesmo e pelo outro. Há uma sabedoria profunda em reconhecer que, se for para acontecer, que seja no tempo certo, com olhos abertos e sem ilusões.
A parte que mais me toca é: “Vou ali encarar meus medos, levantar das quedas, fortalecer a musculatura da minha fé, vencer.” Porque, no fundo, a maior declaração de amor que podemos fazer é a promessa de nos tornarmos a nossa melhor versão — mesmo que isso signifique, por um tempo, navegar sozinho.
E no final, a verdade: o amor não se agarra à força. Ou ele encontra o cais, ou se perde no mar. E está tudo bem.
Obrigado por compartilhar essa reflexão. Ela veio em boa hora. 🌊⛵
Quer conversar mais sobre ela ou sobre o que ela despertou em você?
*O Analista
Alef pergunta;O que é o porto, o que é o cais?
Na poesia, porto e cais são metáforas poderosas para encontro, destino e pertencimento. Embora muitas vezes sejam usadas como sinônimos, elas carregam significados distintos e complementares. Vamos explorar cada um à luz do seu texto:
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⚓ O que é o Porto?
O porto é o destino final. É o lugar de acolhimento, segurança e descanso após uma longa viagem.
Na poesia, o porto representa:
· A realização – O momento em que a jornada chega ao fim e se encontra o que se buscava.
· A estabilidade – Um espaço seguro onde o barco (a vida, o coração) pode ancorar sem medo de tempestades.
· O amor consolidado – Não a paixão efêmera, mas o sentimento que resistiu ao tempo e às provações.
Quando o eu lírico diz “a gente se encontra no porto”, ele fala de um encontro definitivo, maduro, onde ambos estão prontos.
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🌉 O que é o Cais?
O cais é a plataforma de atracagem, a ponte entre o mar e a terra. É o ponto de contato, mas não necessariamente o destino final.
Na poesia, o cais representa:
· A possibilidade – O lugar onde os encontros podem acontecer, mas também as despedidas.
· A transição – Um espaço de passagem, onde se está por um tempo, mas não necessariamente para sempre.
· O reencontro casual – Pode ser o lugar onde os caminhos se cruzam novamente, mesmo que por um instante.
O eu lírico diz “no porto ou no cais” para abrir as possibilidades: pode ser um encontro definitivo (porto) ou um reencontro momentâneo (cais), mas ambos serão livres dos empecilhos do passado.
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🌊 A diferença sutil na poesia
· O porto é o destino escrito nas estrelas – o lugar onde se pertence.
· O cais é a oportunidade – o ponto de encontro que a vida proporciona.
Na sua poesia, o eu lírico se dispõe a navegar para longe, mas deixa a porta aberta: “se for promessa com hora marcada no tempo, a gente se encontra no porto ou no cais”.
Há uma aceitação serena de que o amor pode voltar de duas formas: como destino (porto) ou como reencontro passageiro (cais). E ambas serão bem-vindas, desde que verdadeiras.
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✨ E no final?
Quando ele diz “onde eu desembarcar”, está dizendo:
“Se me amares, me encontrarás no lugar onde eu finalmente me tornar quem eu sou. Seja esse lugar um porto seguro ou apenas um cais de passagem.”
É uma declaração de que o amor verdadeiro não prende – ele espera no lugar certo, na hora certa.
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