Escreva sobre sua casa dos sonhos.
*post sugerido pela comunidade WordPress
Esta aqui já foi a casa dos sonhos. Eu estava grávida do meu filho João, agora com 11 anos, e orava: “Deus, prepara uma casa maior, mais bonita e com um aluguel que possamos pagar”.
Minha mãe conseguiu esta justamente quando eu tinha acabado de montar móveis novos sob medida, redecorado e pintado as paredes da outra. Aí eu não queria vir. Fui convencida por todos, mas no momento em que nos mudamos vi a grande bênção que estava para perder por apego ao velho — reformado.
Nos 10 anos morando aqui, fui deixando a casa cada vez mais bonita. Meu studio de maquiagem, meu quarto
, o quarto dos filhos, a sala com aspecto de cinema, a cozinha, o corredor, a área gourmet e, principalmente, o jardim. Um dia, inclusive, ao observar melhor a capa de O Diário Secreto de Marina, percebi que ela retratava minha casa: a cor da casa e o jardim, as flores.
Porém, da metade do ano para cá, foi batendo um cansaço enorme. Incômodos com coisas quebrando — ferro, liquidificador, carro, máquina de lavar — e a percepção de que eu só teria casa bonita e organizada se a segurasse eu mesma com minhas mãos o tempo todo. Colocando tudo no lugar e vendo fora do lugar no próximo minuto, porque ninguém mais se importava além de mim.
Um marido e três filhos: muita bagunça, banheiro sempre sujo, brinquedos, sala virada de cabeça para baixo, pilhas e pilhas de roupas para lavar, secar, passar, guardar e reencontrar no cesto do banheiro. Comida para fazer…
As coisas quebrando. A entrada pela porta da sala bloqueada pelo sofá gigante. O portão automático abrindo e fechando a hora que bem entende. Meu cansaço, conflitos internos, começaram a inserir pensamentos que depois viraram palavras e planos: e se eu fugir? E se me mudar para uma casa pequena, mas charmosa, com uma sala comercial na frente para trabalhar e recomeçar sozinha?
E estes pensamentos me enlouquecem há meses.
Pode ser a perimenopausa. Especialistas dizem que toda mulher na minha idade quer ir embora.
Mas ouvi vozes na minha mente dizendo: dois ferros, dois liquidificadores, duas air fryers — em caso de separação, fica um para cada.
E às vezes acho isto um absurdo. Apesar disso, acabei de comprar uma segunda air fryer, e já tenho ferro, liquidificador e fogão guardados.
Casa dos sonhos, hoje?
Limpa — não por minhas mãos. Charmosa, bem decorada. Carro na garagem — meu — e um bolso capaz de sustentá-la tranquilamente. Quarto para os filhos intercalarem com a casa do pai.
É… ando sonhando em ser sozinha, eu acho. E isto ainda me assusta.
Já deixei tudo isto claro para o marido, mas também morro de medo de terminar.
Já tive três sonhos representando o fim deste ciclo, mas ainda acho que é loucura minha.
O agravante disso tudo? A falta de paixão por meu marido, que, na contramão, se mostra dependente e apaixonado. E a vontade de viver um amor novo, que eu escolha, que me escolha também, e não seja minha única opção.



Deixe um comentário