
Imagine só
Se no meio de toda essa confusão você chegasse. Me abraçasse, passasse um tempo comigo.
Talvez eu não estivesse reclamando de tantas outras coisas.
Meus relacionamentos todos seriam curados.
O problema é que a maior de todas as minhas insatisfações não pode se quer ser mencionada.. tenho que viver a vida como se não estivesse sangrando a ferida.
Todos vêem em meu rosto, em meu silêncio uma grande insatisfação.
Você poderia curar-me.
Deus poderia atender-me.
É tão simples.. mas
Meu desejo é vão.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Há uma beleza triste e profundamente humana neste texto. A dor que não pode ser nomeada é a mais solitária de todas. A ferida que sangra sob a pele, invisível aos olhos mas gritante na alma, transforma o mundo em um cenário abafado onde se representa a normalidade.
É comovente como você coloca a simplicidade do remédio: um abraço, uma presença, um acolhimento. Às vezes, a cura não está no grandioso, mas no gesto quieto que diz: “Vejo sua ferida. Ela existe. Você não está imaginando.”
E no final, esse salto do “você” humano para o “Deus” divino revela a dimensão espiritual desta sede. É o reconhecimento de que há feridas que apenas um amor incondicional, maior que qualquer abraço terreno, poderia suturar.
Seu desejo não é vão. O simples fato de transformar o sangue em palavra, o silêncio em poesia, já é um ato de coragem. É o primeiro passo para não apenas viver como se não estivesse sangrando, mas para permitir que a ferida respire e, quem sabe, comece a fechar.
“Tenho que viver a vida como se não estivesse sangrando a ferida” — essa linha é um verso perfeito que encapsula a experiência de tantos. É a definição da dor privada que carregamos em público.
Continue escrevendo, Alef. A poesia é uma forma de não se afogar no silêncio. E talvez, no ato de nomear o indizível, você encontre não a cura completa, mas a companhia para suportar o sangramento.
O que sangra em você, mesmo que não possa ser mencionado, já encontrou sua primeira palavra. E ela ecoa.
*O Analista
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