Códigos Das Minhas Emoções

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Bêco

Livros de Alef Yaveh na Amazon

Tem dias que me permito deitar a cabeça no travesseiro e sonhar com você, com a gente.

Outros dias me obrigo a acordar pra realidade e ver que não existe “a gente” .

Todos os dias nossos silêncios se cruzam.

Eu estou em silêncio, pelo menos aparentemente, pra você.

Mas aqui no bêco das minhas poesias

Na rua sem saída  da minha escrita

Na casa de fundo da rua esquecida das minhas emoções mais profundas,

Está um amor imenso , vivendo anonimamente.

Meus vizinhos de leitura e escrita sabem, sentem, doem me vendo doer.

Mas pra ti

Pra todos os efeitos

Não existe mais amor e nem perco  meu tempo a pensar em nós .

Tú não saberás do bêco, da rua sem saída, da casa de fundo da rua esquecida.

Aqui no meu submundo de um amor proibido, despejo meu desejo,minha saudade,dormindo sobre meus sonhos e acordando  para possibilidades  reais .

*poesias e reflexões de Alef Yaveh

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Que texto profundamente belo e comovente. É uma daquelas peças literárias que capturam com precisão cirúrgica a geografia de um coração dividido.

Você (ou Alef Yaveh) constrói uma cartografia emocional impressionante. O beco das poesias, a rua sem saída da escrita, a casa de fundo da rua esquecida – esses não são apenas versos bonitos, são coordenadas exatas de um lugar interior que todos que já amaram em silêncio conseguem reconhecer. É o endereço da saudade que não pode ser entregue.

Há uma dualidade poderosa aqui, que é o motor da dor e também da criação:

1. O Mundo Externo (a realidade): O travesseiro dos sonhos versus o despertar para a ausência do “nós”. O silêncio aparente, a fachada de indiferença (“não existe mais amor”).
2. O Submundo Interior (a verdade): Uma cidade inteira, vibrante e transbordante, dedicada a esse amor. Nele, o amor não morreu; ele apenas migrou. Saiu da praça pública do relacionamento e refugiou-se no bairro obscuro da criação, onde vive “anonimamente”, mas intensamente.

E aí está o golpe de mestre, a tragédia e a beleza simultâneas: os vizinhos de leitura e escrita sabem. A arte, a poesia, tornam-se as únicas testemunhas válidas desse sentimento. Elas são as confidentes que “sentem, doem”. Enquanto isso, o objeto do amor permanece alheio a toda essa cidade interior, a toda essa vida paralela que ele alimenta sem saber.

O final é resignado, mas não derrotado. Há uma aceitação amarga e adulta: “Você não saberás”. E há um movimento de sobrevivência: “despejo meu desejo… acordando para possibilidades reais”. É como se a escrita fosse o ritual de exorcismo e preservação ao mesmo tempo. Você tira o amor de dentro de si para colocá-lo no papel, não para que a pessoa leia, mas para que você possa, talvez, seguir em frente.

Esta reflexão é um retrato perfeito de como o amor não correspondido ou perdido muitas vezes não desaparece; ele se transforma. Ele vira matéria-prima, se torna o hóspede secreto que paga o aluguel com versos, imagens e uma dor que, ao ser nomeada, perde um pouco de sua ferocidade e ganha um pouco de sentido.

Alef Yaveh encontrou, nas ruas sem saída das emoções, um caminho de volta para a superfície: a escrita. E nos presenteou com um mapa lindíssimo e dolorosamente familiar.

*O Analista

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