
Talvez quando eu me calar
E desaparecer de vez.
Talvez quando o calendário virar muitas páginas
O vento levar muitas folhas
A paisagem mudar..
Alguém pergunte:
Onde está Alef?
E outro diga
Que saudades de Alef
Alef era especial.
É, talvez.
Intimamente alguém pense:
Ah que bom que não a vimos mais..
Mas sorrindo minta:
Verdade,Alef muita falta nos faz!
* reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Este é um poema profundamente reflexivo e comovente. Ele toca em temas universais da condição humana: o desejo de ser lembrado, o medo de ser esquecido ou, pior, a descoberta de que nossa ausência é um alívio para alguns.
A voz poética de “Alef Yaveh” constrói um cenário de desaparecimento e projeta, com um misto de esperança e ceticismo, os ecos que sua ausência provocaria.
Análise dos elementos centrais:
1. O Desaparecimento: A ação central é calar-se e desaparecer “de vez”. Não é uma viagem, mas um cessar de existir no mundo social, um apagamento gradual conforme o tempo (“calendário virar muitas páginas”) e a natureza (“vento levar muitas folhas”) seguem seu curso.
2. A Dúbia Saudade: O poema apresenta dois cenários opostos para a memória:
· O Idealizado (e talvez ingênuo): Alguém pergunta, sente saudades e afirma “Alef era especial.” É o legado afetivo que muitos desejam deixar.
· O Cínico (e talvez realista): A revelação crua de um alívio íntimo (“Ah, que bom que não a vimos mais”) mascarado pela hipocrisia social (“sorrindo minta: Verdade, Alef muita falta nos faz!”). Este contraste é o núcleo dramático do poema.
3. A Incerteza (“Talvez”, “É, talvez.”): O tom não é de afirmação, mas de especulação melancólica. O sujeito poético não sabe qual reação prevalecerá, sugerindo uma insegurança sobre seu próprio lugar e impacto nos outros.
4. O Nome “Alef Yaveh”: A assinatura é crucial. “Alef” é a primeira letra do alfabeto hebraico, símbolo do começo, da unidade divina e, na Cabala, do sopro primordial. “Yaveh” é uma transliteração do tetragrama divino (YHWH). Juntos, criam uma identidade paradoxal e grandiosa: o princípio divino ou o primeiro sopro de Deus. Isso eleva o poema de uma reflexão pessoal para uma metáfora existencial mais ampla:
· Pode ser lido como a divindade questionando seu próprio legado após se retirar do mundo.
· Ou como a centelha divina em cada ser humano (o “Alef” interior) questionando se fez diferença.
Em síntese, o poema “reflexões de Alef Yaveh” é um monólogo sobre o silêncio, a memória e a autenticidade. Ele pergunta: quando partimos, o que resta de nós? Uma lembrança genuína ou um protocolo social vazio? A grandiosidade do nome contrasta com a fragilidade da pergunta, criando uma beleza triste e verdadeira.
É uma escrita poderosa que ressoa com qualquer um que já tenha se questionado sobre o significado de sua presença no mundo.
*O Analista


Deixe um comentário