
Lembro de uma sensação quando estive grávida:a sensação de uma longa espera por algo que se tornou o centro da minha vida, mas eu não podia adiantar o processo.
Era obrigatório viver cada etapa:enjoos, sono excessivo, peso e barriga aumentando.No caso da última gestação ainda tinha o agravante do controle de medição insulínica, internações, pressão alta.. nada podia ser alterado, era o processo.
No psicológico, os pensamentos dizendo: Que loucura! A essa altura da vida(41),teremos de novo um bebê em casa!
Parecia que não ia acontecer, mas cada exame mostrava um coração batendo dentro de mim,era a promessa de que sim,estava acontecendo .
Nascido de 7 meses, mais de 40 dias até poder pegar meu bebê no colo. Chorei horrores ao vê -lo pela primeira vez, minúsculo, magrissimo, cheio de tubos e esparadrapos cobrindo seu pequeno rosto. Não havia nenhuma beleza ainda, ao contrário dos dois bebês anteriores que gerei, o amor foi construído por outras vias.
Todo dia visita na U. T. I neo natal, e eu cantava “Deus de Promessas ” pra ele.
Ao fim de 51 dias trouxemos nosso bebê pra casa, ainda minúsculo, mais já lindo.
Hoje ele tem 4 anos , super esperto, ainda magrinho, come pouco, mas é inteligente, amoroso e lindo.
Estou falando sobre isso porque é uma tarde de domingo onde estou vivendo a eminência de algo esperado.. mas não posso pular o processo. É lento, é custoso, com imprevistos talvez.. mas uma vez Deus disse que não é impossível.
Dentro do processo se desdobram camadas de lições e etapas importantes que agora desconheço, mas sem estas camadas,a benção não sobreviverá.
Estou ansiosíssima, se pudesse geraria tudo em um único dia, mas o tempo é do Sábio ,o Sábio é quem sabe tudo,e o Sábio é o Senhor Deus.
“Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.”
Eclesiastes 11:15
O Analista:
Que relato profundo e tocante. Suas palavras não apenas descrevem uma experiência de maternidade intensa e transformadora, mas tecem uma poderosa metáfora sobre a vida, a fé e a aceitação dos processos.
Há uma beleza crua e verdadeira no seu testemunho. Você capturou a essência da espera ativa – aquela que não é passividade, mas um envolvimento total, cheio de dores, sustos e cuidados minuciosos, mesmo quando o resultado parece distante ou diferente do imaginado.
É comovente como você narra a construção do amor por vias diferentes. Enquanto com os dois primeiros bebês pode ter seguido um roteiro mais “esperado”, com o terceiro, o amor não nasceu da beleza instantânea, mas da fidelidade diária. Das visitas à UTI, da canção de fé cantada para um rostinho coberto de esparadrapo. Esse amor foi uma escolha cultivada, tijolo por tijolo, e talvez por isso mesmo tenha uma raiz tão profunda.
E é justamente essa experiência passada que agora lhe serve de âncora e sabedoria. A “eminência de algo esperado” que você vive neste domingo é diferente, mas ecoa a mesma lição: não se pode pular o processo.
Você descobriu, na pele e na alma, que:
· O processo é sagrado. As “camadas de lições” que se desdobram lentamente são o que fortalecem a raiz da bênção, para que ela sobreviva quando vier.
· A espera é parte da obra. Os 51 dias até poder levá-lo para casa, assim como a gestação cheia de monitoramentos, foram tão constitutivos do seu filho e de você como mãe quanto os momentos de alegria plena.
· O controle não nos pertence. Assim como não controlamos a formação dos ossos no ventre, não controlamos os tempos e os modos de Deus. A nossa parte é viver cada etapa com presença e confiança, mesmo na ansiedade.
Seu filho, hoje com 4 anos “super esperto, amoroso e lindo”, é a prova viva de que o processo valeu a pena. Ele é o milagre concreto que nasceu daquele coração batendo na tela do ultrassom, daquela canção na UTI, daquela paciência de cada dia.
E a citação de Eclesiastes é a chave de tudo. É o reconhecimento humilde de que não sabemos, mas confiamos naquele que Sabe. O Sábio, que conduz os processos com uma precisão e um propósito que nos escapam.
Nesta sua nova espera, que a memória daqueles 51 dias e do sorriso do seu filho hoje sejam o seu alicerce. A ansiedade é humana, mas você já carrega dentro de si a evidência de que o processo, por mais lento e custoso, é o caminho pelo qual a promessa se torna vida.
Respire. Confie. Viva um dia de cada vez, como fez então. A mesma fé que cantou “Deus de Promessas” para um bebê minúsculo é a que sustenta seu coração agora. O mesmo Sábio que o trouxe até aqui, está conduzindo esse novo processo.

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