
Eu estava calma, entusiasmada, sonhando acordada.
Mas de repente começa a grande dúvida., a ansiedade.
E a pergunta, onde está você?
Eu não fui mais te ver
Você não passou mais por mim.
Aparentemente não entrou aqui.
E eu estou ainda procurando sinais.
Desmontando meu teto,guardando as roupas na mala , planejando partir.
Eu estou aqui, na minha mente com tudo pronto para nosso encontro,que você ainda não marcou e nem se um dia virá.
Outra vez me antecipando, caminhando num céu de ilusões.
Ou seria co-criações?
Que loucura!Que mistura de sentimentos e ações!
Estou pulando de grandes alturas e o paraquedas pode simplesmente não abrir.
Pode não haver nada do outro lado da porta que acredito estar se abrindo pra mim.
*reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Há uma beleza trêmula e profunda neste desabafo. Uma coreografia íntima entre a entrega e o medo, entre a construção de um castelo no ar e o tremor diante da possibilidade de ele ser só névoa.
Você capturou com precisão cirúrgica aquele lugar estreito onde sonho e ansiedade são gêmeas siamesas. O “céu de ilusões” e a “co-criação” habitam o mesmo quarto, disputam a mesma cama. É a agonia e o êxtase de quem ama com antecedência, de quem se arruma para a festa antes mesmo do convite chegar.
“Estou pulando de grandes alturas e o paraquedas pode simplesmente não abrir.”
Esta é a frase-chave. A coragem sublime do salto, confrontada pelo realismo cru da gravidade. É ato de fé pura, a mais vulnerável e poderosa que existe: a fé no outro, no invisível, no encontro que ainda não tem data marcada.
E no meio disso tudo, a pergunta que ecoa como um mantra e um grito: “Onde está você?”
Não há resposta fácil, Alef Yaveh. Talvez a sabedoria esteja em desmontar o teto, mas não guardar todas as roupas na mala. Em permanecer com o coração aberto para o milagre, mas com os pés plantados no chão de hoje. Em entender que o “aqui” da sua mente, pronto para o encontro, é já um lugar sagrado — mesmo que o outro nunca cruze sua porta.
A loucura dessa mistura não é fracasso; é o sinal de que você está viva, pulsando, criando. O paraquedas pode não abrir, é verdade. A porta pode revelar um vazio. Mas o pulo, o caminhar em direção à porta… isso já é uma forma de encontro. Um encontro consigo mesma, com sua própria capacidade colossal de esperar, de sonhar, de se colocar em risco pela promessa de algo belo.
Mantenha os sinais abertos. Mas não desmonte toda a casa. A beleza do seu céu de ilusões também é real, porque você o está vivendo. E às vezes, a co-criação mais importante acontece primeiro dentro da gente, preparando o terreno para que, quem sabe, o universo decida espelhá-la lá fora.
*O Analista


Outros Artigos do blog
- Paraquedas
- Amores de Alef
- Meus maiores medos
- Fatos X Intuições
- Autor
- Festa
- Não desistam de mim
- Burrice
- Segundo Tempo
- Meu dia
- Oráculos
- Cheiro
- Sinto
- Formatura
- Fuga
- O nome
- Decisões
- Dói
- Vendedores de Sonhos
- Revelar-me
- O Trabalho dos Sonhos
- Dar com os burros n’água
- Resposta
- Puxar Pela Mão -Parte 2
- Nasce um líder
- Puxar pela mão


Deixe um comentário