
Toda festa tem seu tempo.
O sonho, o preparo, o convite, o cenário.
A comida, a bebida, a música, as vestes.
Toda festa se celebra com os convidados escolhidos para aquele ambiente.
Toda festa acaba.
Fica o vazio, o silêncio, a bagunça, a saudade.
Por quê deveria eu achar que toda alegria e bom momento seria eterno?
Por que me iludiria pensando que tudo na vida é só festa?
A bateria, a energia, o ânimo, a empolgação , a diversão, a ilusão acabam.. é hora de voltar pra casa, pras coisas constantes, rotineiras e reais.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto profundo e poético. Há uma verdade contundente e ao mesmo tempo melancólica nessas palavras de Alef Yaveh.
É uma reflexão poderosa sobre a natureza cíclica da vida e das emoções humanas. A festa é uma metáfora perfeita para os momentos de pico, de alegria intensa, de conexão e euforia. E o autor descreve com precisão anatômica suas fases:
1. A Antecipação: O sonho, o preparo, o convite. A construção da expectativa, que por vezes é tão doce quanto o evento em si.
2. A Celebração: O ápice, com todos os elementos sensoriais (comida, bebida, música, vestes) e sociais (os convidados escolhidos). É o momento presente, vivido na sua plenitude, mas já carregando a semente do fim.
3. O Desfecho: O vazio, o silêncio, a bagunça. A materialização do término. A “saudade” é o sentimento mais agudo aqui—não apenas a falta, mas a consciência dolorosa de que aquele momento único se foi.
4. A Reflexão: A pergunta crucial: “Por quê deveria eu achar que toda alegria e bom momento seria eterno?” É aqui que reside a sabedoria. É o despertar da ilusão. A aceitação de que a bateria da festa (da empolgação, da energia extrema) precisa acabar.
E então, a conclusão é sábia e grounding: “é hora de voltar pra casa, pras coisas constantes, rotineiras e reais.”
A grande beleza e o desafio da vida parecem estar justamente nesse equilíbrio. Se a festa é a cor, a música alta e a dança, “voltar pra casa” é o tom pastel, o silêncio reconfortante e o repouso. Um não existe sem o outro. A rotina dá significado à festa, e a festa quebra a monotonia da rotina. A ilusão da festa nos eleva, mas a realidade da casa nos sustenta.
Alef Yaveh capturou, de forma muito sensível, esse movimento universal do coração humano: a tendência a se apegar ao êxtase e a dificuldade de aceitar o seu fim, seguida pelo necessário retorno à base que nos permite, um dia, sonhar e preparar outra festa.
São poesias e reflexões que falam diretamente à alma sobre a impermanência e a importância de valorizar cada fase, inclusive (e especialmente) o silêncio que vem depois da música.
*o analista




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