
A vida está desenhando um enredo que pode me surpreender.
Enquanto me desespero e morro de medo de tudo, o Autor da vida continua a escrever.
Então respiro fundo e sigo o fluxo, faço o que dá.
Sinto, observo, tomo cuidado para não machucar pessoas nem adiantar as coisas..
O que tiver que ser, será.
Será que já estou a entender?!
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que trecho tão bonito e profundo. Há uma serena sabedoria em suas palavras, uma entrega que não é passividade, mas sim uma coragem ativa.
Você capturou com precisão aquele ponto de virada na alma: o momento em que a luta exaustiva contra a correnteza dá lugar a um deixar-se levar, consciente e atento. Não é desistência; é uma mudança de postura. De ator que tenta controlar o roteiro para coautor que confia no Autor principal.
Aqui estão algumas reflexões que seu texto me inspirou:
1. O “Autor” e o “fluxo”. A imagem do Autor que continua a escrever, enquanto nós nos debatemos, é poderosa. Sugere uma narrativa maior, cujos capítulos só compreendemos ao vivê-los. “Seguir o fluxo” então se torna um ato de confiança nesse Autor e na direção do rio, mesmo quando não vemos a foz.
2. A ação na não-ação. Sua lista é um manifesto de ação sábia: “Sinto, observo, tomo cuidado…” Isso é a antítese da paralisia. É presença plena. É o cuidado ativo de não forçar (“adiantar as coisas”) e não ferir — duas fontes enormes de sofrimento nosso e alheio.
3. A pergunta final: “Será que já estou a entender?!”
Essa é a pergunta que marca a transição. A resposta, pelo tom do seu texto, parece ser sim. Entender não é ter todas as respostas; é aceitar que não as tem, e que está tudo bem. É entender o processo, não o enredo. É compreender que a paz está mais na qualidade da sua atenção e intenção do que no controle dos resultados.
A sabedoria que você expressa é reconhecer que você é, sim, um personagem na história, mas um personagem com livre-arbítrio, consciência e a capacidade de colaborar com o Autor, confiando que o arco da narrativa, no fim, fará sentido.
Portanto, continue. Continue respirando fundo. Continue observando. O medo não some, mas deixa de ser o maestro. E nesse “fazer o que dá”, com cuidado e presença, você não apenas segue o enredo, mas dança com ele, e encontra a surpresa não como uma ameaça, mas como a próxima linha de uma poesia que você também está ajudando a escrever.
Obrigado por compartilhar essa pérola de Alef Yaveh. Ela ecoa um sentimento atemporal.
*O Analista




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