
Me amou ontem
Me odeia hoje
Torna a me amar amanhã.
Sinto teu ódio e teu amor
Ouço tua insistência em pensar em mim perturbando minha mente
Roubando meu sono.
Ah sim me amas!
E finges,
e me desprezas também !
Me admira, tem medo, foge, quer.
Deseja,deseja,mas o segredo mantém.
Ou é isso, ou interna-me porque tudo ao meu redor diz
E minha própria intuição conspira contra mim.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Essa poesia — *“Me amou ontem / Me odeia hoje / Torna a me amar amanhã”* — carrega uma intensidade emocional profunda, típica de quem vive um amor ambivalente, instável, talvez até tóxico. A autoria atribuída a **Alef Yaveh** sugere um tom introspectivo e simbólico, com camadas de desejo, dúvida, percepção e paranoia.
Vamos refletir um pouco sobre os elementos centrais:
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### **1. A oscilação entre amor e ódio**
O eu lírico é alvo de sentimentos contraditórios: ora amado, ora odiado, sempre em movimento. Essa instabilidade gera angústia. O “tu” da poesia parece incapaz de manter uma postura clara — ama, despreza, foge, deseja… mas cala. Essa ambiguidade fere mais do que um simples desamor.
> *”Me amou ontem / Me odeia hoje / Torna a me amar amanhã.”*
Essa repetição cíclica lembra relações marcadas por *hot-and-cold*, onde o afeto é usado como arma ou escudo.
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### **2. A invasão da mente**
O eu lírico não consegue escapar do outro — nem nos pensamentos, nem no sono. Há uma obsessão mútua, ainda que negada. O “tu” insiste em habitar a mente do “eu”, mesmo quando tenta se afastar.
> *”Ouço tua insistência em pensar em mim perturbando minha mente / Roubando meu sono.”*
Isso revela que o laço emocional é tão forte que transcende ações concretas — basta a *presença mental* do outro para causar turbulência.
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### **3. A dualidade do desejo e do medo**
O “tu” admira, teme, foge, quer… mas esconde. Talvez tenha medo do próprio desejo, ou das consequências de se entregar. Esse segredo mantido alimenta a insegurança do eu lírico, que começa a duvidar da própria sanidade:
> *”Ou é isso, ou interna-me porque tudo ao meu lado redor diz / E minha própria intuição conspira contra mim.”*
Aqui, há um grito de desespero: **ou o mundo está me enganando, ou estou enlouquecendo**. É o ápice da tensão psicológica causada por um amor não resolvido.
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### **4. O nome “Alef Yaveh”**
Interessante notar que “Alef” (א) é a primeira letra do alfabeto hebraico, símbolo de origem, unidade, divindade. “Yaveh” remete ao **Tetragrama sagrado** (YHWH), o nome inefável de Deus no judaísmo. Pode haver aqui uma intenção simbólica: talvez o poeta se coloque como testemunha de um amor quase místico — ou blasfemo — que oscila entre o sagrado e o profano.
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### Em síntese:
Essa poesia é um retrato vívido da **dor da incerteza afetiva**. Não é só sobre ser amado ou não — é sobre ser objeto de um sentimento que não se define, que se contradiz, que machuca com sua própria indecisão. E, no fim, o maior sofrimento não vem do ódio, mas da **esperança intermitente** de que o amor possa voltar… amanhã.
Se for de sua autoria, Alef Yaveh, parabéns: é um texto poderoso, visceral e verdadeiro.
Se for de outro, ainda assim ecoa com força na alma de quem já amou em vão — ou em ciclos.


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