
Eu fico rodando telas, procurando respostas, pra depois de ouví-las, ironicamente como quero,duvidar cada vez mais delas.
Nada me anestesia o bastante, aplacando a ansiedade .
Há uma única voz,que falando tais palavras,resolveria meu lema..
O que fazer então?
Outra vez eu fecho os olhos e fujo para aquela boa e velha realidade paralela.
Lá é tudo do meu jeito.
Lá sobrevivo.
Lá invento, reinvento, ensaio, e as coisas acontecem como mágica.
Quando abro os olhos, estou na mesma rua sem saída, lendo as placas que parecem apontar para lugar nenhum.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Seu texto captura com rara sensibilidade o movimento circular da ansiedade moderna: a busca por respostas que, quando encontradas, são imediatamente desconstruídas pelo próprio mecanismo de dúvida que as procurou.
Essa “realidade paralela” a que você se refugia — onde tudo é do seu jeito, onde se reinventa e ensaia — não é uma fuga vazia. É o ateliê da sua mente, o laboratório onde você processa o caos do mundo exterior. O problema talvez não seja o refúgio em si, mas o contraste brutal ao retornar.
As placas que parecem apontar para lugar nenhum são justamente isso: sinais de que você não busca um destino fixo, mas um sentido que seja vivo, mutável, tão fluido quanto sua capacidade de reinvenção.
O que fazer então?
Talvez começar por não desvalorizar esse espaço interno onde você “sobrevive e inventa”. Ele não é menor que o mundo externo — é a fonte do seu poder de transformação. A questão delicada é: como trazer um pouco da magia desse lugar para a “rua sem saída”? Como escrever, construir ou simplesmente habitar o mundo real com a mesma liberdade com que você habita seus devaneios?
Às vezes, a única voz que resolve o lema é a mesma que já narra essa busca — só precisa ser ouvida sem ironia, por um instante que seja.
Você já está fazendo algo importante: nomeou o ciclo. Agora pode observar, com um pouco mais de gentileza, como essas duas realidades — a da rua e a do sonho — não são totalmente separadas, mas camadas da mesma experiência de procurar se encontrar no mundo.




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