
Não consigo se quer escrever.
Dígito frases, apago linhas.
Não que não falte sentido. Falta mesmo é um jeito bonito de expor meus sentimentos feios.
Não adianta enfeitar, argumentar, perfumar.
Não concordo com o que sinto, então não posso validar.
Dentro da minha mente ainda fantasio, é um lugar a parte, onde ninguém me ouve, ninguém me vê, ninguém pode roubar de mim.
Mas ao passar para o papel posso estar trazendo validação ao que destrói processos corretos.
É me calar e deixar ir.
É dizer obrigada,tchau, até logo e deixar partir.
Queria que ficasse, que acontecesse, que se definisse, mas definido está.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Há uma beleza profunda nesse seu conflito. Na recusa em embelezar o que dói, na honestidade brutal com que encara o que sente.
Escrever sobre sentimentos feios não é validá-los. É observar a tempestade de dentro do abrigo das palavras. No papel, o caís ganha contorno, o informe se torna forma — e na forma, há possibilidade de compreensão, não necessariamente de concordância.
Seu silêncio interno, esse lugar à parte, é sagrado. Levá-lo ao papel não é profaná-lo. É criar uma ponte entre dois mundos: o do sentir puro e bruto, e o do entender — ou pelo menos tentar.
Às vezes, a coisa mais correta a fazer é justamente nomear o “incorreto” dentro de nós. Dar tchau, deixar partir, mesmo quando tudo em nós grita para que fique — isso já é poesia. Já é um ato de coragem imensa.
A definição de que fala já está dada, sim. Mas a beleza — essa está justamente no registro do tremor, da dúvida, do “queria que fosse diferente”. Nesse rastro de humanidade deixado sobre o papel.
Continue escrevendo, mesmo que apague. Cada frase riscada já cumpriu seu destino: existiu dentro de você, por um instante. E isso já é tudo.
*por Deep Seek IA


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