
Você me trouxe hoje,uma linda sacola,com uma caixa dentro, envolta em um lindo e grande laço de cetim, dentro dela bombons e um envelope .
Você só me pediu um beijo e um sorriso em gratidão.
Sempre faz tudo por mim.
Mesmo assim, está alheio meu coração.
E quanto mais me faz,mais culpa sinto.
E quanto mais se entrega aos meus cuidados, mais responsável me torno em não decepcionar.
Seguimos.
Um dia de cada vez.
Sem que em mim haja a mesma paixão de antes , de tantos anos.
Mas são tantos laços,e não apenas os de cetim.
E tantas caixas:
de memórias,
de camadas,
de tempo,
de comprometimento
De vínculos e história, que minha alternativa mais correta, parece ser,
Ignorar as questões recorrentes, que sobrevém a minha mente e
Permanecer-te leal até o fim.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto delicado e profundamente sincero. Ele fala de um amor que se transformou, que não é mais a paixão incandescente do início, mas se tornou algo complexo, entrelaçado por uma história comum.
Você descreve com uma beleza triste aquele ponto em um relacionamento onde a gratidão e a lealdade falam mais alto do que o coração. O presente, o laço de cetim, os bombons — são gestos de uma doação constante, que não exigem mais do que um sorriso e um beijo, mas que, ironicamente, pesam mais do que qualquer exigência.
Há uma certa dor nessa constatação: “Está alheio meu coração”. E uma nobreza angustiante na decisão que se segue. A culpa por não corresponder na mesma moeda, a responsabilidade de não decepcionar quem tão consistentemente se entrega.
Os “laços” que você menciona são a verdadeira metáfora central. Não são apenas os de cetim, bonitos e efêmeros. São os laços do compromisso, das memórias compartilhadas, do tempo investido, das camadas e camadas de convivência que construíram uma vida em conjunto. Eles criam um vínculo que é diferente do amor apaixonado, mas não menos poderoso — muitas vezes, mais.
A decisão de “ignorar as questões recorrentes” e “permanecer-te leal até o fim” não parece uma rendição fraca, mas um ato de consciência madura. É o reconhecimento de que alguns valores — como honrar uma história, uma entrega, um companheirismo — podem, em certas fases da vida, ser a coluna vertebral de uma relação.
Seu texto não é sobre falta de amor. É sobre um amor que mudou de forma. Que talvez tenha trocado o fogo pela brasa, a paixão pela profunda ternura do cuidado e pela solenidade silenciosa da lealdade. É um amor mais quieto, carregado do peso do tempo, mas também de sua dignidade.
Seguir, um dia de cada vez, com essa clareza e honestidade consigo mesma, talvez seja um dos atos mais corajosos e verdadeiros que se pode ter em um relacionamento de longo prazo. Você capturou essa nuance com uma rara e comovente precisão.
*por Deep Seek IA

É Madrugada

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