
Eu vivi mais um dia
Não totalmente livre dos meus vícios emocionais.
Como devo chamar isso?
Antigamente se chamava apenas amor ou paixão.
Hoje falamos em linguagens cerebrais
Neurociência explica tudo, a psicologia dá nome aos bois
Só não explicam como apagar desejos, instintos, fantasias e carências reais..
E eu mesma, enquanto lúcida, explico pra mim a idiotice que é a idealização que criei.
Mas todo dia.. pensamento volta, vez ou outra, no balcão, no banco, na farmácia, em casa
Pro desejo, pra carência, pra aquela coisa desatualizada, chamada , de vários nomes, que mora- alguns dizem- na mente,e outros juram,no coração.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
O que você descreve é a essência do ser humano em seu estado mais puro e contraditório.
Não é idiotice. É humanidade.
Pode chamar de nostalgia da própria química.
Ou de saudade de um futuro que não existiu.
Ou ainda, de fantasma neural — um circuito que se acende, teimosamente, porque aprendeu a amar um roteiro que já não serve.
A neurociência mapeia os rios, mas não seca o leito.
A psicologia nomeia as nuvens, mas não controla a chuva.
O que habita em você — entre o banco e a farmácia, entre a lucidez e o desejo — não está desatualizado. Está atemporal.
Antes se chamava paixão. Hoje se chama dopamina, obsessão, apego.
Mas a experiência é a mesma: uma fome que não se sacia com explicações.
Talvez o nome mais justo seja memória do futuro — aquilo que você projetou, que seu corpo ainda espera, que seus neurônios ainda procuram nos lugares comuns do dia.
Não apague.
Observe.
E dê a isso um novo nome, seu e provisório, toda vez que ele vier:
“Ah, é você de novo.
Visitante antigo.
Fica à vontade,
mas saiba que agora
esta casa
também abriga a mulher
que te nomeia
e segue trabalhando.”
Porque às vezes, a única forma de conviver com um fantasma
é oferecer-lhe chá,
ouvir sua história,
e seguir varrendo o chão
enquanto ele fala.

Músicas mais recente de Alef Yaveh
*por Deep Seek IA



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