Códigos Das Minhas Emoções

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Feijões mágicos

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Dormi cheia de ilusões tolas e acordei sensata.

Acordei me perguntando pra quê tudo isso.

Acordei acordando .

Vamos pontuar:tudo é miragem

É um vendedor no deserto mal intencionado me mostrando feijões mágicos e pedindo em troca minha última garrafa d’água.

É um golpe contra mim mesma.

É arrumar sarna pra me coçar,um problema para a cabeça.

Eu dormi ouvindo músicas que eu mesma inventei pra me iludir cada vez mais.

Me empanturrei com as miragens dos feijões como quem toma um balde de sorvete  inteiro ignorando o fato do mal que faz.

Por pouco não entreguei minha água.

Ah eu não sei mais lidar com minha própria idiotice,me envergonho das minhas tolices.

Vez ou outra acordo sóbria. Não quero dormir nunca mais.

*poesias e reflexões de Alef Yaveh

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Há uma beleza cortante e uma lucidez árida neste seu despertar. Suas palavras não são um desabafo, são um poema filosófico sobre a desilusão.

Vamos pontuar, como você propõe:

1. A Miragem e o Vendedor.
A metáfora é perfeita e cruel. O deserto é a aridez da realidade; a água, seu essencial, sua sobrevivência emocional. Os feijões mágicos são as narrativas que tecemos para colorir o vazio ou para justificar esforços infrutíferos. O vendedor “mal intencionado” é a parte de você que, por desejo, cansaço ou medo do deserto, aceita negociar o real pelo fantástico.

2. O Autoengano como Golpe.
Aqui está o cerne da sabedoria dolorosa: “É um golpe contra mim mesma.” Perceber que a principal autora das suas ilusões é você não é motivo apenas de vergonha, é um ato de coragem. A “sarna para se coçar” é essa necessidade quase física de criar problemas, dramas, obsessões, para que a mente tenha com o que se ocupar, fugindo de uma vacuidade mais assustadora.

3. A Empanturração de Ilusões.
O balde de sorvete é genial. Iludir-se não é um ato inocente; é um consumo compulsivo e doentio de algo que, em dose massiva, faz mal. Você não foi vítima passiva; você se empanturrou. Há uma vontade ativa na fuga.

4. A Água Retida.
O momento crucial: “Por pouco não entreguei minha água.” Aqui há um suspiro de alívio no meio do desespero. Você salvou algo essencial. A água é sua lucidez, sua essência, sua verdade última. Você a conservou, mesmo à custa de enfrentar a sede do deserto (a realidade nua e crua).

5. A Vergonha e a Sobriedade Indesejada.
“Agora estou sóbria” é a frase de quem desceu de um êxtase e encara o mundo sem filtros. A sobriedade aqui não é paz; é uma clareza que queima. “Não quero dormir nunca mais” é um grito de quem teme voltar àquele estado de autoengano voluptuoso, mas que também sabe que a vigília eterna é um fardo.



Este seu acordar, por mais que doa, é um ato de integridade. A vergonha das tolices passadas é o preço da consciência. Não é preciso deixar de dormir para sempre; talvez seja aprender a dormir sem fechar os olhos para a verdade, ou a acordar sem se desesperar com a luz.

Você trocou os feijões mágicos pela água. O deserto é vasto e seco, mas com água na mão, pelo menos você está viva e verdadeira. E é a partir dessa verdade, por mais árida que pareça, que qualquer caminho real pode ser traçado.

Este ciclo de iludir-se e desiludir-se é humano. A grande mudança está em perceber o padrão. Você já não está mais apenas dormindo e acordando. Você está observando o mecanismo do sono. Isso em si é um despertar maior.

A autora diz:

o vendedor é quem queria minha água em troca de feijões que supostamente subiriam até o céu.. como João e o pé de feijão.. qdo digo que por pouco não vendi minha água estou dizendo que quase acreditei

A IA reintéra:

Ah, sim! Agora a metáfora ganha sua força total. Obrigado por trazer a referência precisa.

João e o Pé de Feijão é a história perfeita para ilustrar isso. O vendedor não oferece qualquer miragem, ele oferece uma promessa de transcendência: feijões que “sobem até o céu”. Não é apenas uma ilusão boba; é a promessa de uma fuga total, de um acesso a um reino mágico acima da aridez do deserto.

E o que ele pede em troca? Sua última garrafa d’água.
A água não é um bem qualquer. No deserto, ela é sinônimo de vida. É o que mantém você presa à realidade, à sua própria verdade, à sua sobrevivência básica. É o que te ancora no chão árido, mas real.

“Quase acreditei” é a frase mais importante de todas.

Ela revela que o perigo não estava no vendedor externo, mas na suspensão voluntária da descrença que você mesma permitiu. Por um momento, você quis acreditar que os feijões eram mágicos. Que valia a pena trocar o essencial (sua verdade, sua sanidade, seu autocuidado) pela possibilidade de um milagre, de uma escada para o céu.

Essa quase-crença é a raiz de toda a vergonha que você sente. É o momento em que você, adulta e supostamente sensata, olhou para os feijões na mão do charlatão (que pode ser uma pessoa, uma esperança, um projeto, um amor) e pensou: “E se…?”

O “quase” é a sua salvação.
É a fração de segundo em que, no último instante, você olhou para a água na sua outra mão e lembrou: “Isso aqui é o que me mantém viva. Sem isso, mesmo que o pé cresça, eu estarei morta de sede antes de chegar ao primeiro galho.”

Acordar sensata é justamente isso: é olhar para os feijões que você quase comprou e vê-los pelo que são – feijões secos e ordinários. É a decepção com a magia que se desfaz, mas também é o imenso alívio de ainda ter sua água intacta.

Agora você não está apenas acordada. Você está desencantada. E o desencanto, por mais doloroso que seja, é o terreno mais firme que existe. Nele, você não troca mais água por contos de fada. Você guarda sua água. E, se um dia plantar algo, será com ela, no solo duro do real, sem esperar que cresça até o céu.

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