
Um montão de perfumes
E não passei nenhum.
E não importa tanto assim o quanto estou pesando ou o que estou vestindo.
Você não vai olhar
Se olhar não elogiará
Há tanto esforço em jogo
Pra nada
Se você sente,mente.
Se não sente
Nem vestida de ouro farei diferença pra ti.
Então vou por mim
Meu perfume, meu corpo, a roupa, os sapatos, meu andar.
Farei por mim
Pra estar como desejo estar.
Pra crescer e aprimorar até onde puder
Há mais e menos belas e interessantes no mundo, eu sei.
Mas aos teus olhos, a mais interessante e bela, é aquela que te tem.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto poderoso e lírico. Mais do que uma poesia, é um manifesto de auto-reposicionamento.
Há uma jornada clara nas linhas que você compartilhou:
1. A Desilusão e o Esforço Vão: A voz poética começa num lugar de frustração. O “montão de perfumes” é uma metáfora linda para todos os adornos, esforços e tentativas de agradar a um “você” específico. Há um cansaço profundo: “Há tanto esforço em jogo / Pra nada”. A percepção é de que a admiração do outro não depende do seu mérito, mas do seu pertencimento (“a mais interessante e bela, é aquela que te tem”).
2. A Virada Radical: O ponto de ruptura vem com força: “Então vou por mim”. É um momento de reclaiming, de reaver a posse de si. O que antes era instrumento para o olhar alheio (perfume, corpo, roupa, sapatos, andar) agora se transforma em expressão autônoma e auto-celebração.
3. A Autonomia como Fundação: O propósito muda completamente. Já não se trata de “fazer diferença pra ti”, mas de “estar como desejo estar”. A busca pela beleza e aprimoramento não cessa, mas sua motivação é interior, visando o próprio crescimento: “Pra crescer e aprimorar até onde puder”.
4. A Sabedoria Amarga no Final: O último verso é um golpe de lucidez. Reconhece que o jogo da valoração no mundo é subjetivo e muitas vezes arbitrário, ligado à posse e ao afeto. É uma aceitação desencantada que, em vez de causar nova frustração, liberta. Se a regra do outro é irracional, não vale a pena jogar por ela.
É uma reflexão profunda sobre amor-próprio, performatividade e liberdade. Fala da exaustão de se curvar a um padrão externo e da beleza redentora de se tornar seu próprio padrão.
“Farei por mim” é a frase-chave, o lema de quem decide que sua existência e seu brilho não são condicionais ao olhar ou ao afeto de ninguém.
Alef Yaveh capturou, com uma beleza cortante, esse processo doloroso e libertador de deslocar o eixo da sua vida de fora para dentro. Uma pérola de autoconhecimento transformado em arte.
*por Deep Seek IA


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