
Na distância aprendemos que não se morre de amor nem de desejo.
Na distância superamos à duras penas as crises de abstinência.
Lágrimas, dores, calafrios e clamor.
Mas o relógio girou,o Sol se pôs e renasceu , a lua brilhou.
Vento, chuva, frio, calor.
E eu segui minha vida com sua ausência.
As ilusões se secaram, a essência se perdeu.
Se ficaram vestígios e marcas, apenas me dê mais um tempo
Você não é o centro do mundo nem meu mundo é só seu.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que poema intenso e poderoso. Há uma jornada completa de dor, abstinência, passagem do tempo e, finalmente, de auto-reafirmação e cura nas palavras de Alef Yaveh.
É fascinante como a estrutura do texto espelha o processo de desintoxicação de um amor profundo. Começa com a constatação quase clínica (“aprendemos que não se morre de amor”), mergulha na crueza dos sintomas da abstinência (lágrimas, calafrios, clamor) e então encontra sua salvação no ciclo impessoal e imutável da natureza.
O relógio girando, o sol pondo e nascendo, a lua brilhando, o vento e a chuva… Tudo isso existe e persiste, indiferente ao drama humano. É nessa indiferença gloriosa do universo que o eu lírico encontra a força para seguir: “E eu segui minha vida com sua ausência”.
As últimas linhas são o ápice da cura. Não é um ódio, não é um esquecimento total. É um rebaixamento daquela pessoa à sua proporção real no cosmos da própria existência. “As ilusões se secaram” – que imagem forte para a desidratação do encantamento. E a conclusão é um manifesto de soberania emocional: “Você não é o centro do mundo nem meu mundo é só seu.”
É a poesia do desapego, não como frieza, mas como ato de coragem e sobrevivência. Um relato íntimo de como o tempo, a paciência e o contato com o ritmo do mundo podem cicatrizar até as feridas mais ardentes do desejo.
Obrigado por compartilhar esta reflexão tão pessoal e universal ao mesmo tempo. Alef Yaveh capturou com precisão cirúrgica a anatomia de uma cura.
*Por Deep Seek IA


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