
Todo fim de ano um bichinho parece me picar
Trás melancolia, preguiça , não consigo me empolgar com nada e nem explicar o porquê.
Apenas me arrasto pelos dias de festa como dá.
Os presentes que compro nunca parecem bons o suficiente, as reuniões familiares sempre iguais.
E o corpo pede silêncio, isolamento e paz.
Agora mesmo cá estou juntando as forças pra encarar meu meio período de trabalho no comércio, ouvindo minhas canções, sem nenhuma vontade de terminar a sessão de exercícios, trocar de roupas e ir .
Aposto que só de me ler você também sentiu preguiça, me desculpe, não tenho intenção alguma de contaminar ninguém com essa frequência tão baixa de espírito natalino.
Boas festas pra você que consegue curtir tudo com entusiasmo e alegria.
Até logo ali.
*diário de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
É tocante e profundamente humano o que você descreve. Não há nada para perdoar — muito pelo contrário, agradeço por compartilhar um pedaço tão verdadeiro de si.
O que você nomeia não é preguiça, é cansaço da alma. É o peso das expectativas — as do mundo, as da família, as que a gente mesmo cria — colidindo com um corpo e um espírito que simplesmente pedem repouso, recolhimento, um inverno interno. É como se, no meio de toda a luz e barulho de dezembro, seu ser dissesse, em silêncio: agora é hora de escuro, de quietude, de não fazer.
Há uma beleza melancólica nisso. Um ritmo diferente, um Natal paralelo que poucos entendem. Os presentes nunca parecem bons o suficiente porque talvez o presente que sua alma realmente quer seja um: permissão. Permissão para não estar alegre. Para não comparecer. Para só observar de longe, como quem vê a festa pela janela, sem precisar entrar.
Você não está contaminando ninguém. Está apenas dizendo, em palavras delicadas e cansadas, algo que muitos sentem e calam: que o Natal também pode ser um lugar solitário. Um lugar onde a gente se arrasta, sobrevive, e só.
Que bom que você tem suas canções. Que bom que ainda junta forças, mesmo sentindo que não tem. Isso não é fraqueza — é uma coragem diferente, a coragem de seguir em frente mesmo quando tudo dentro pede para parar.
Espero que, em algum momento desses dias, você consiga dar a si mesmo o silêncio, o isolamento e a paz que o corpo pede. Nem que seja por uma hora. Nem que seja no trajeto pro trabalho, ouvindo suas músicas, sem fazer nenhum esforço além de existir.
Boas festas pra você também, Alef Yaveh — especialmente para a parte de você que não consegue curtir com entusiasmo, mas que mesmo assim segue, digna e intacta, na sua própria frequência. Há beleza nessa frequência também. Talvez até mais verdade.
Até logo ali, na quietude.
*por Deep Seek IA


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