
O passarinho beija a flor,
cheira a flor,
visita a flor.
Tempo de admirar coisas simples,
pequenos prazeres e alegrias na rotina da vida.
E este lindo passarinho,
que pára no ar para a flor beijar e cheirar me lembra o amor.
Mas de simples alguns tipos de amores nada tem, entre eles, o nosso também.
Não é possível beijar, cheirar, visitar.
Meu jardim tão simbólico por onde passavas todo sábado,
retratado na capa do livro,
no verde da capa,
a cor da minha casa,
ainda estão aqui.
A flor aqui está.
A verdadeira entre as artificiais.
Mas tu passarinho,
Nunca mais poderá vir.
Tú não voltas jamais.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Um poema delicado e melancólico. Ele captura com precisão aquele movimento tão humano de encontrar um símbolo de beleza e alegria na natureza (o beija-flor e seu ritual com a flor) e, em seguida, deixar que esse símbolo escorra para o território da memória e da saudade.
Aqui está uma leitura do que se desdobra nos versos:
Primeiro Movimento: A Beleza Simples e Presente
A abertura é uma observação pura,quase uma haiku. O passarinho (beija-flor) em seu movimento preciso: beijar, cheirar, visitar. Isso estabelece o tema dos “pequenos prazeres”, da atenção ao momento presente, da admiração pelo simples.
Transição: Do Observado ao Lembrado
O verbo crucial é”me lembra”. O espetáculo gracioso do beija-flor pausado no ar torna-se um portal para outra coisa: o amor. Mas não um amor genérico. Um amor específico, que já foi vivido.
Segundo Movimento: A Ausência e o Simbólico
Aqui o tom muda.O poema contrasta a interação tangível do passarinho com a flor (“beijar, cheirar, visitar”) com a natureza intangível de alguns amores. O “jardim simbólico” é o espaço da memória afetiva, da relação. Ele é tão real para o eu lírico que está retratado na capa de um livro (a arte, a literatura como registro), na cor da casa (o ambiente cotidiano impregnado de significado). É um jardim que ainda está aqui, na mente, no coração.
O Paradoxo Final e o Corte Seco
A imagem da”flor verdadeira entre as artificiais” é poderosa. Sugere que, no jardim da memória, o sentimento genuíno (a flor verdadeira) persiste, cercado talvez por lembranças menos autênticas ou pela artificialidade do presente sem a pessoa amada.
E então vem o golpe,direto e sem rodeios: “Mas tu passarinho / Nunca mais poderá vir.” O passarinho deixou de ser o pássaro real. Transformou-se na metáfora da pessoa amada, da visitação dessa alegria, desse amor ativo e presente. E seu retorno é declarado impossível.
A força do poema está nesse contraste: a vida pulsante do beija-flor real contra a fixidez eterna do passarinho-metáfora na memória. A natureza segue seu ciclo de pequenos prazeres, mas o jardim simbólico do amor perdido está forever em um estado de quietude, visitado apenas pela saudade.
Um lamento belíssimo e preciso sobre como a ausência se instala no mundo, tornando os símbolos de vida (o beija-flor) também símbolos do que já se foi.
A autora menciona:
ps:o jardim existe, minha casa é verde como a capa do livro O Diário Secreto De Marina é verde com flores soltas.
hoje cedo ao sair para ir ao mercado, vi um beija flor no jardim . Você pode me dizer qual a simbologia da visita de um beija flor?
Deep Seek responde:
A visita de um beija-flor ao seu jardim, especialmente após a reflexão do seu poema, carrega um simbolismo profundo e consolador. Em diversas tradições, ele é visto como um mensageiro positivo.
Aqui estão os significados mais comuns, para que você possa refletir sobre qual ressoa mais com o seu coração:
✨ Significados Espirituais e Culturais
· Mensageiro
· Alegria nos Pequenos Detalhes: Sua aparição rápida e graciosa é um lembrete para encontrar felicidade nos momentos simples, como você mesmo poetizou.
· Amor e Dedicação: A forma como busca o néctar com paixão e foco é uma metáfora para amar com intensidade o que é verdadeiramente essencial.
· Renovação e Força: Simboliza resiliência, a capacidade de superar desafios e a transformação pessoal.
· Sinal de Boa Sorte: É frequentemente visto como um presságio de energias positivas, sorte e novos começos.
🌺 A Visita no Seu Jardim (O Contexto que Torna Único)
No contexto da sua vida e do seu poema, essa visita ganha um sentido especial. O beija-flor real que você viu não substitui o “passarinho” simbólico da saudade, mas pode ser lido como um contraponto vivo à imobilidade da memória.
Enquanto no poema o jardim simbólico é estático, o seu jardim real se mostrou vivo e capaz de atrair nova beleza. O amor e as memórias associadas àquela pessoa não estão confinados apenas ao passado; eles ainda têm o poder de fazer você perceber a doçura inesperada do presente, como uma “flor verdadeira entre as artificiais”.
A cor verde que une a capa do livro, a sua casa e agora esta experiência torna o momento uma sinfonia de significados pessoais.
💎 Uma Perspectiva Ancestral
Na tradição maia, acreditava-se que o beija-flor foi criado pelos deuses justamente para ser um mensageiro, encarregado de transportar pensamentos e desejos entre os mundos. Para os guaranis, ele é visto como o guia das almas.
Talvez essa visita seja, acima de tudo, um convite pessoal: um incentivo para que você, assim como ele, se nutra da doçura das boas memórias sem se perder apenas na ausência, encontrando força e leveza para seguir.


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