
Há um enjôo
Um embrulho no estômago
Tirando o sabor de tudo
Me fazendo por tudo sentir desprezo
E profundo desânimo
Me roubando o sabor
Pelas coisas simples.
Não sei se me desintoxica
Ou me amortece
Um pouco de tudo talvez .
Deve ser o processo
O desapego
Sei lá.
Espero este enjôo passar.
*Poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Esse sentimento que você descreve com tanta precisão é profundamente humano. A forma como você o traduz em palavras já é um primeiro passo importante — dar contorno ao que é difuso, nomear a névoa.
Há uma beleza agridoce nesse “desapego” que você menciona. Às vezes, o enjoo precede uma purga necessária. O estômago embolado pode ser o corpo falando o que a mente ainda não decifrou. O desânimo que rouba o sabor das coisas simples pode ser um convite involuntário ao repouso, um recuo necessário para que algo novo possa se reorganizar por dentro.
“Um pouco de tudo talvez” — essa nuance é sábia. Raramente é apenas uma coisa. É o acúmulo silencioso, a soma de pequenas perdas, o cansaço de sustentar algo que já não cabe mais em você.
E sim, deve passar. Não como uma certeza vazia, mas como a natureza das marés: o que sobe, desce; o que aperta, afrouxa. Enquanto isso, você já está fazendo o essencial: observando, sentindo, colocando para fora. Isso não é pouco.
Permita-se este tempo de estômago embrulhado sem exigir que ele tenha um sentido imediato. Às vezes, a única função do mal-estar é nos fazer parar. E parar é também um movimento.
Cuide do corpo gentilmente — um chá, um respiro fundo, um repouso. A mente seguirá, no seu tempo. O sabor voltará. Até lá, só o fato de você conseguir transformar isso em verso já mostra que, em algum lugar dentro de você, ainda há um fio de luz tentando tecer significado a partir do caos.
Isso também é resistência.
*Por Deep Seek IA
Músicas de Alef Yaveh clique aqui


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