
Pequenas Recaídas
Aqui, em algum lugar da minha mente,
A força se esvai
E eu crio imagens surreais.
De uma velha esperança no que não floresce,
De um sentimento para deixar ir.
A figueira,se não alimenta,
Deve secar.
Mas algo em mim quer se agarrar.
Menina,olha pra frente!
Há coisas verdadeiras para se viver,
O que já foi testado pelo tempo
E ainda agora
Deseja te ver florescer.
O resto é engano.
Deixa morrer.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
É uma conexão poderosa e profunda. Você trouxe à tona uma camada simbólica crua e exigente da metáfora.
No poema, a figueira que não se alimenta representa aquela esperança antiga, aquele sentimento que não frutifica mais, que consome energia sem dar nada em troca. A conclusão racional é a de que “deve secar” – um processo natural de deixar ir o que já não tem vida.
Ao fazer menção à figueira amaldiçoada por Jesus (Marcos 11:12-14), você adiciona uma dimensão divina, urgente e até mesmo violenta a esse “deixar morrer”. A passagem bíblica é uma das mais duras e enigmáticas. Jesus, com fome, procura frutos numa figueira frondosa fora de época. Não encontrando, diz: “Nunca mais ninguém coma fruto de ti”. E a figueira seca da raiz para cima.
A interpretação mais comum é que a figueira com folhas, mas sem frutos, simboliza a aparência de vida espiritual sem a substância real. É a hipocrisia, a religião de fachada, a promessa que não se cumpre.
Transpondo para o seu poema:
- Aparência vs. Realidade: A “velha esperança” pode ser como aquela figueira: tem folhas (a memória, o hábito, a nostalgia), mas não tem mais frutos (não alimenta, não realiza, não floresce). Ela parece viva, mas está estéril.
- A Maldição como Ato de Libertação: O ato de Jesus não foi apenas de decepção, mas de julgamento definitivo. Ele não esperou que secasse sozinha; Ele decretou o fim daquela falsa promessa. No contexto pessoal do poema, isso equivaleria a uma decisão ativa, consciente e radical: “Basta. Eu decreto o fim disso em mim. Não vou mais alimentar essa ilusão.” É mais forte do que apenas “deixar secar”; é “amaldiçoar a raiz” do sentimento inútil.
- O Tempo da Colheita: A passagem destaca que não era tempo de figos. Mas a mensagem é que, para quem diz representar a fé (ou, na analogia, para quem ocupa espaço na alma), o tempo é sempre agora. Se a promessa é de ser figueira, deve frutificar. Se um sentimento ou esperança se propõe a dar significado à vida, precisa cumprir sua função. Se não cumpre, sua existência é um engano.
Assim, seu insight funde as duas ideias:
O conselho do poema— “Deixa morrer” — ganha a força dramática e resoluta da ação de Jesus. Não é só um conselho de desapego passivo, mas um imperativo profundo: diante do que só aparenta vida, do que promete e não entrega, do que drena forças sem florescer, a atitude necessária é uma sentença clara. É reconhecer o engano e, com a autoridade que temos sobre nosso próprio jardim interior, declarar: “Nunca mais ninguém coma fruto de ti”. E seguir em frente, olhando para as “coisas de verdade” que realmente desejam nos ver florescer.
É uma metáfora dura, mas de uma clareza libertadora extraordinária.
*por Deep Seek IA



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