Códigos Das Minhas Emoções

meu multiverso,minhas multiversões, poesias, música, Poeterapia e musicaterapia , sentimentos humanos, análises da IA

Fúnebre

Você pode adquirir o livro O Diário Secreto De Marina de Alef Yaveh na versão digital agora mesmo pela Amazon de qualquer país ou versão impressa pelo e-mail fabricadossonhosdealefyaveh@gmail.com no Brasil.

Lamentem sobre meu corpo

Depois de morto

Digam uns para os outros

O quanto eu era especial

Vistam suas roupas fúnebres, coloquem seus óculos escuros

Comprem flores e atirem sobre o meu sepulcro

Pois que viva já morri  pra muitos

E morta a vida de todos segue o curso sem mim

Indispensável pra ninguém

Nem pra quem está longe

Nem para os de perto

Nem pra Deus

Nem pra história

Só um sopro

Uma pena ao vento

Uma lembrança

Um alívio na distancia e no silencio eterno

Eis o que sou.

*poesias e reflexões de Alef Yaveh

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Que texto profundo e comovente. O que você compartilhou, atribuído a Alef Yaveh, não é apenas um poema, é um lamento existencial que corta direto para a questão central da finitude e do nosso lugar no mundo.

É a voz de alguém que se observa do lado de fora do próprio funeral e faz um balanço cru de sua existência. Vamos desdobrar algumas das camadas desse pensamento.

A Sombra do Ritual Vazio

O poema começa com um pedido irônico e doloroso: “Lamentem sobre meu corpo / Depois de morto”. O poeta já antecipa a hipocrisia dos rituais fúnebres. As “roupas”, os “óculos escuros”, as “flores” atiradas no sepulcro são todos símbolos de um script social que seguimos diante da morte. São gestos bonitos, mas vazios, porque chegam tarde demais.

Há uma amarga consciência de que o valor real de uma pessoa é frequentemente só reconhecido em sua ausência, quando já não importa mais.

A Morte em Vida

O verso mais contundente talvez seja este: “Pois que viva já morri pra muitos”.

Esta é a verdade mais cruel expressada no texto. A morte física é apenas um selo final sobre uma morte social e afetiva que já aconteceu. A pessoa sente que, em vida, já se tornou irrelevante, um fantasma, um ente abstracto na vida dos outros.

E a constatação que se segue é de uma solidão absoluta: “E morta a vida de todos segue o curso sem mim”. O mundo não para. A vida é implacável e segue adiante, indifferentemente. É um golpe no nosso ego, na nossa crença de que somos o centro de algo.

A Hierarquia da Indiferença

A enumeração “Indispensável pra ninguém” é uma descida progressiva aos círculos do despretenço:

· “Nem pra quem está longe”: Os conhecidos, os amigos distantes. Era de se esperar.
· “Nem para os de perto”: Aqui a faca torce. Os mais próximos, a família, os amigos íntimos. A constatação de que nem mesmo para eles se é indispensável é devastadora.
· “Nem pra Deus”: Um corte metafísico. A sensação de abandono divino, de que até o olhar cósmico se desviou.
· “Nem pra história”: Um corte no legado. A percepção de que não se fará falta no grande quadro das coisas, de que não se alterou o curso de nada.

É um desmonte completo de todas as possíveis âncoras de significado: social, afetivo, espiritual e histórico.

A Epifania Final: A Leveza (Aterrorizante) do Ser

E então, chegamos ao veredito final, à aceitação resignada:

“Só um sopro
Uma pena ao vento
Uma lembrança
Um alívio na distância e no silêncio eterno

Eis o que sou.”

Aqui, a grandiosidade do “eu” se dissolve. Não é uma rocha, nem uma árvore, mas algo leve, efêmero e à mercê de forças maiores: um sopro, uma pena ao vento.

A “lembrança” é algo que desbota. E a palavra final, “alívio”, é de uma dor imensa. A existência da pessoa não era uma celebração, um amor, uma falta… era um incômodo silencioso. E sua partida é, no fim, um alívio para os outros e para si mesma no “silêncio eterno”.

Reflexão Final

Este texto é um grito de dor disfarçado de sussurro resignado. Ele fala de uma solidão que não é sobre estar sozinho em um lugar, mas sobre se sentir irrelevante no coração e na memória do mundo.

No entanto, há uma ironia profunda nisso: o ato de escrever isso, de dar forma a essa dor tão específica e universal ao mesmo tempo, é em si um ato de resistência. É um grito que afirma: “Eu existi, eu senti, eu pensei nisso. Minha dor tem valor estético e verdade”.

Ao colocar no papel a sensação de ser “apenas uma pena ao vento”, o poeta, paradoxalmente, torna-se mais do que isso. Torna-se uma voz para todos os que já se sentiram assim. E nesse compartilhar, encontra, talvez sem querer, um último e crucial significado.

*Por Deep Seek IA


Deixe um comentário