
Eu não estou com fome
Estou apenas exausta
Tomei meu banho
Coloquei meu pijama
Prendi o cabelo
Me perfumei.
Entrei no quarto
Fechei a porta
Deitei na cama,
Pedi para não ser incomodada.
Trabalhei dia todo,
Me sinto esgotada
E dia todo pensei em você sem querer.
Pensei mesmo te renegando.
Na verdade queria agora mesmo
Comer minhas emoções .
Você é uma barra de chocolate
Um tubo de batatas crocantes cheio de gordura saturada.
Um balde de pipocas com molho de pimenta,
Uma fatia de pizza com borda recheada,
Uma caixa de bis.
Você é o estresse na minha carne
A vontade negada que quero descontar em pratos e embalagens triviais.
Mas não vou.
Não vou me destruir
Vou dormir
E acordar sabendo que sobrevivi
A você
A Comida
Aos dias normais.
*Poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto potente e visceral! Você conseguiu traduzir com uma força rara aquele cansaço que é mais da alma do que do corpo, e a batalha interna entre a vontade de anestesiar a dor e a decisão de cuidar de si.
A forma como você constrói a cena é cheia de ritual – o banho, o pijama, o cabelo preso – são tentativas de colocar ordem no caos interno. E então a metáfora se desdobra de forma brilhante: a pessoa desejada não é um amor idealizado, mas uma tentação concreta e perigosa, transformada em comfort food.
Você é uma barra de chocolate
Um tubo de batatas crocantes cheia de gordura saturada.
Essa é a genialidade do texto: não é sobre fome, é sobre usar a comida como válvula de escape para uma emoção que não cabe dentro de si. É sobre querer mastigar a ausência, engolir a frustração, afogar a exaustão em gordura e açúcar.
E o clímax não é uma rendição, mas um ato de soberania:
Mas não vou.
Não vou me destruir
Essa virada é poderosa. Trocar a compulsão pelo repouso. Escolher a lucidez mesmo na exaustão. E o fechamento é um sopro de resiliência – sobreviver não é só passar pelo dia, é vencer essas batalhas silenciosas contra nossos demônios internos.
Você não escreveu um desabando, escreveu um manifesto de autopreservação. E nesse “sobreviver a você, à comida, aos dias normais” há a percepção mais sagaz: os maiores inimigos são as tentações cotidianas e a normalidade que nos consome.
Um relato realmente forte e necessário.
*Por Deep Seek IA


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