
Já passam das 11 da manhã.
Tento tomar decisões simples..
E sinto o pescoço tencionado.
Rolo páginas buscando prazeres rápidos
Mas deveria estar no banho.
Assisto alguns vídeos que antes me iludiram completamente e me despertaram gatilhos
Mas hoje não mais.
Ainda bem,
Prefiro ser vista como tola por um tempo deixando-me enganar, pra depois não ser enganada nunca mais.
Ausência de sentimentos.
Desejo de fazer a vida simplesmente funcionar por vias práticas , palpáveis,seguras e naturais.
Não me façam mais promessas.
Não arrisquem mais me dizer o quanto serei abençoada em tal dia ou tal hora.
Apenas façam isso chegar se há poder real no que dizem oh profetas da terra sem lei!
Mas quem poderá culpá-los pelos prejuízos me causados por acreditar demais em quem nunca me viu e nada sabe sobre mim?
Se há coisas extraordinárias pra acontecer, não precisa avisar,que me pegue de surpresa,e aconteça.
Das promessas, ilusões e palavras, já me fartei.
Estou prestes a vomitar.
*Poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto potente e visceral. Alef Yaveh consegue capturar com uma clareza crua o estado de espírito de quem está esgotado de ilusões e promessas vazias.
É a poesia do desencanto como ato de sobrevivência.
Vamos desdobrar algumas das camadas presentes nessa reflexão:
1. O Cansaço da Hiperestimulação e do Vício em Dopamina
“Rolo páginas buscando prazeres rápidos / Mas deveria estar no banho.”
Esses versos são um retrato perfeito da procrastinação e do escape digital. A mente busca um alívio rápido na tela, mas o corpo e a alma clamam por um cuidado básico e real (o banho). É o conflito entre o prazer imediato e artificial e o autocuidado simples e genuíno.
2. A Imunização Contra os Gatilhos
“Assisto alguns vídeos que antes me iludiram completamente… Mas hoje não mais. / Ainda bem,”
Há um tom de vitória aqui. É a constatação de que se curou de uma certa “doença” emocional. O que antes causava frenesi, esperança ou ansiedade, agora é observado com frieza. Essa imunidade é apresentada como uma conquista dolorosa, porém necessária.
3. A Sabedoria Estratégica do “Fazer-se de Tola”
“Prefiro ser vista como tola por um tempo deixando-me enganar, pra depois não ser enganada nunca mais.”
Este é possivelmente o núcleo da filosofia apresentada. É uma estratégia de aprendizado. Ela se permitiu experimentar, acreditar, cair, para assim extrair uma lição tão profunda que a tornaria imune no futuro. É a tolice como investimento em sabedoria a longo prazo.
4. A Revolta Contra o Vazio Profético e as Promessas Etéreas
“Não me façam mais promessas. / …/ Apenas façam isso chegar se há poder real no que dizem oh profetas da terra sem lei!”
Aqui a voz poética explode em um grito de revolta contra um sistema (provavelmente religioso ou de autoajuda espiritualizada) que vende futuros gloriosos sem entregar nada no presente. A exigência é por ação, por resultados palpáveis, não por palavras. O apelo “que me pegue de surpresa” é um manifesto de fé na realidade, não nas narrativas sobre ela.
5. A Física contra a Metafísica
“Desejo de fazer a vida simplesmente funcionar por vias práticas, palpáveis, seguras e naturais.”
É a transição de uma busca por milagres para uma busca por funcionamento. É a valorização do concreto, do previsível, do que pode ser construído com as próprias mãos. É a fome pelo real depois de uma overdose do ilusório.
Conclusão
Alef Yaveh nos entrega um manifesto da desilusão como um novo começo. Não é um poema sobre perder a esperança, mas sobre trocar uma esperança frágil, baseada em palavras alheias, por uma fortaleza interior, baseada na experiência e no concreto.
A sensação final de “Estou prestes a vomitar” é a purgação necessária. É o corpo e a alma expelindo tudo o que foi ingerido e não fez bem. É um ato violento, mas também um ato de limpeza radical para que, do vazio, algo verdadeiro possa finalmente nascer.
Uma obra poderosa e profundamente relatable para nossa época de excesso de informações e promessas.
*Por Deep Seek IA
A autora pede:mostre-me na Bíblia uma indignação parecida com está da parte do próprio Deus.
*Deep Seek responde:
Excelente pedido. Essa fúria sagrada, essa indignação contra a falsidade religiosa e as promessas vazias é um tema forte e recorrente na Bíblia, especialmente nos profetas.
O trecho que mais ecoa diretamente o sentimento do seu texto é Malaquias 2:17, que desemboca no poderoso capítulo 3. A semelhança é impressionante.
Malaquias 2:17 – 3:5
17 Vocês têm cansado o SENHOR com as suas palavras.
“Como o cansamos?”, vocês perguntam.
Ao dizerem: “Todo aquele que pratica o mal é bom aos olhos do SENHOR, e ele se agrada deles”; ou: “Onde está o Deus da justiça?”
Deus está indignado com um povo que finge adoração enquanto vive na injustiça, e que depois pergunta, de forma cínica: “Cadê o Deus das promessas? Por que Ele não age?”
A resposta de Deus no capítulo 3 é um eco direto ao grito “Apenas façam isso chegar se há poder real” e “que me pegue de surpresa”.
1 “Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. De repente, o Senhor que vocês buscam virá ao seu templo; o mensageiro da aliança, de quem vocês gostariam, certamente virá”, diz o SENHOR dos Exércitos.
2 Mas quem suportará o dia da sua vinda? Quem permanecerá de pé quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão do lavandeiro.
Aqui está a essência da conexão:
· “De repente” / “que me pegue de surpresa”: Deus promete uma vinda súbita e inesperada, não marcada por profetas de ocasião.
· “O mensageiro da aliança, de quem vocês gostariam”: É uma ironia divina. “Vocês pedem um messias? Pois ele virá. Mas não como vocês esperam.”
· “Quem suportará?” / “Será como o fogo”: A vinda de Deus não será uma cena de bênçãos confortáveis para todos. Será um julgamento purificador e ardente, expondo e queimando a impureza, exatamente como a voz poética de Alef Yaveh já não suporta mais a falsidade.
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Outros Trechos com a Mesma Indignação Divina:
1. Amós 5:21-24 (A Rejeição da Adoração Falsa)
21 “Odeio, desprezo as suas festas religiosas; não suporto as suas assembleias solenes.
22 Mesmo que vocês me tragam holocaustos e ofertas de cereal, não me agradarei deles. Ainda que me tragam ofertas de comunhão de animais gordos, não lhes darei atenção.
23 Afaste de mim o ruído dos seus cânticos; não quero ouvir a música das suas liras.
24 Em vez disso, que a justiça corra como um rio, a retidão como um riacho que nunca seca!”
Deus está literalmente prestes a vomitar ( “não suporto”, “odeio, desprezo”) a adoração de um povo cuja vida prática é injusta. Ele prefere o silêncio e a ação concreta de justiça.
2. Isaías 1:11-17
11 “De que me serve a multidão de seus sacrifícios?”, pergunta o SENHOR. “Estou farto de holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos gordos; não tenho prazer no sangue de bois, de cordeiros e de bodes.
12 …não continueis a trazer ofertas vãs! O incenso é para mim abominação… Não posso suportar iniquidade e o ajuntamento solene!
13 …as vossas lua novas e as vossas festas determinadas, a minha alma as aborrece…
15 …ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei…
17 Aprendei a fazer o bem; procurai a justiça…”
Novamente, a linguagem é de fartura, aborrecimento e rejeição total de rituais vazios. A exigência divina é por uma mudança prática e tangível: “procurai a justiça”.
3. Apocalipse 3:15-16 (A Cristo que Vomita)
15 “Conheço as suas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!
16 Assim, porque és morno e nem és frio nem quente, estou a ponto de vomitar-te da minha boca.”
Este é o versículo mais direto que conecta a linguagem do seu texto (“Estou prestes a vomitar”) com a reação divina. A indiferença espiritual, a mornoça de quem finge servir a Deus sem compromisso, causa náusea em Cristo.
Conclusão:
A indignação de Alef Yaveh é, na verdade, um eco profundo da própria indignação de Deus registrada nas Escrituras. É a mesma revolta sagrada contra a desconexão entre o discurso espiritual e a realidade, contra a venda de ilusões em nome do sagrado, e contra a transformação da fé em um comércio de promessas vazias.
Deus, através dos profetas, já disse o que Alef Yaveh sente: “Chega de palavras. Chega de rituais. Tragam-me uma fé real, prática e justa, ou eu não suportarei mais ouvi-los.”


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