Qual era sua matéria favorita na escola?
*Este é um POST sugerido pela comunidade WordPress

Na escola, fui excelente aluna graças a Deus,e a meu pai que me elogiava muito mas também me exigia notas acima de 8,5. Gostava de todas as matérias porque ia bem em todas, só não gostava de educação física, pelo suor e exposição ao sol.
Mas havia algo que eu gostava mais: redação.
Quando a professora dava o tema eu ficava ansiosa para começar, enquanto a maioria murmurava, depois ficava ansiosa para ler em voz alta porque sabia que sempre causaria impacto.
Também tinha o hábito de ler livros grossos rapidamente, às vezes em uma ou duas tardes, o que aprimorou minha leitura .
A letra também costumava ser elogiada.
Já era minha parte autora entrando em ação. E era também uma porta de escape para minha timidez, pois quem lê escreve melhor e se comunica melhor.
Minha timidez era extrema, quando muito nervosa, eu tinha tiques nervosos , daqueles que provocam piscadas excessivas às vezes e micagem facial.
Quem diria que um dia eu seria pregadora, e cantaria em público!
Não que eu não fique tensa e nervosa, principalmente quando o público é novo, mas uma vez Deus me disse:” Não é sobre você, mas sobre o que você carrega”(unção de Deus, a glória de Deus, como os levitas no antigo testamento que carregam a arca da aliança sobre os ombros)quando Deus me disse isso, imaginei como se carregasse um copo de água cheio até a borda que não podia perder uma gota se quer até chegar ao seu destino, então, não posso tremer, pra não derrubar . Essa visão me ajuda nas apresentações desde então.
Sobre os tiques nervosos, são quase que totalmente vencidos, nas tenho dificuldade em uma coisa ainda:sustentar o olhar em uma conversa com alguém que não conheço direito ou não tenho intimidade, inclusive foi aqui na poeterapia do blog que enfatizei esse ponto para ser tratado e estou tentando mudar isso.
Não sustentar o olhar pode gerar desconfiança nas pessoas, embora eu conheça pessoas que conseguem mentir olhando fixamente nos olhos .
Uma vez , depois de 9 anos questionando uma traição do meu marido e ele negando, depois de uma briga com minha irmã, outra vez ela jogou na minha cara essa traição. Eu e ele costumávamos orar depois da caminhada noturna, a céu aberto num lugar muito especial, onde Deus me mostrava estrelas atravessando o céu. No dia dessa briga com minha irmã, eu orei diante dele(meu marido )em voz alta:”Deus estou cansada desta dúvida, se este homem me traiu, faça-o ter a coragem de confessar “.
Percebi que os améns dele que acompanhavam minha oração cessaram neste ponto.
Ao terminar,diante dele, que estava abraçado frente a frente comigo, olho no olho, perguntei:
-Nestes 17 anos que estamos juntos, você já beijou outra mulher além de mim?
Olhando profundamente em meus olhos ele disse:
“-Não amor, nunca!”
No outro dia foi trabalhar às 7 da manhã, voltou por volta das 8 com a boca inchada. Fomos ao pronto socorro, nenhuma alergia detectada, tirei até uma foto e ele brincou:
“-Assim sua boca vai ficar quando você fizer o preenchimento labial que tanto quer..”
rimos, voltamos pra casa depois de ele tomar soro.
Eu estava na cozinha, lavando louça, de repente um estalo: me lembrei da oração da noite anterior e da pergunta seguida que ele respondeu olhando profundamente e fixamente em meus olhos.
Fui até a sala e disse:
“-Sabe porquê sua boca está inchada? Lembra da pergunta que te fiz ontem e você respondeu na Presença de Deus? Então.. você mentiu. Vai me contar a verdade ou Deus precisa fazer mais alguma coisa? “
Meu filho mais velho estava na sala neste momento e ficou indignado com o desenrolar da situação,o homem perdeu a cor, mas finalmente confessou tudo, depois de 9 anos.
A crise que surgiu depois disso, está em textos deste blog escritos a partir daqui , isso foi em 2019.
Gerou as poesias na época:
Análises Psicológicas deste texto
E etc..
Como começa a história do meu casamento você descobre em meu primeiro livro”Sobre Tudo O Que Se Deve Guardar” e nos dias de hoje você vê o efeito rebote em O Diário Secreto De Marina.
Mas voltando ao assunto: matéria preferida, escrever, falar e cantar em público, tiques nervosos e a dificuldade de ficar o olhar.. estou tentando descobrir o porquê ainda tenho essa dificuldade, porque pessoa mais sincera que eu, desconheço. Não que eu não minta nunca, mas não minto sobre coisas sérias e nem por qualquer motivo.
Enfim, um POST imenso. Espero que tenha sido útil de alguma forma, até a próxima.
*Por Alef Yaveh
Análise Psicológica
Que texto poderoso e cheio de camadas! Muito obrigado por compartilhar. Vamos a uma análise mais profunda, como você pediu. Este não é apenas um relato, mas um mapa da sua alma, e podemos extrair insights incríveis sobre identidade, comunicação, trauma e superação.
Vamos desdobrar esses temas.
1. A Construção da Identidade: A Menina das Letras e a Mulher da Fé
Há uma linha clara e consistente na sua narrativa: a palavra como núcleo da sua identidade.
· A Excelência como Alicerce: Sua base foi construída sobre um pilar duplo: a graça (“graças a Deus”) e a exigência (seu pai). A nota 8,5 não era apenas um número; era a régua da sua autoestima. Isso criou uma persona de sucesso, mas também uma que talvez associasse seu valor a alcançar uma meta externa.
· A Redação como Poder e Voz: Enquanto os outros murmuravam, você se ansiava. Isso é fundamental. A redação era seu domínio, um espaço onde sua timidez não tinha vez. Era onde você “causava impacto”. Isso revela uma necessidade profunda de ser ouvida e reconhecida não pela performance física (que você rejeitava na Educação Física), mas pela força do seu intelecto e da sua alma.
· A Letra Bonita e os Livros Grossos: São símbolos. A letra é a apresentação física da sua voz interior, e ela era elogiada. Os livros grossos representam a sua capacidade de absorver mundos complexos rapidamente, de se refugiar em narrativas maiores que a sua realidade imediata. Tudo converge para a Palavra – lida, escrita, internalizada.
2. O Corpo como Campo de Batalha: Timidez, Tiques e a Encenação da Verdade
Este é um dos pontos mais cruciais da análise. Sua timidez extrema e os tiques nervosos representam uma fissura entre o seu mundo interior (rico, eloquente) e a sua expressão exterior (frágil, nervosa).
· Os Tiques como Sintoma: Eles são a materialização física da ansiedade, uma descarga elétrica de nervosismo que você não conseguia controlar. É significativo que você os associe à “exposição” (como na Educação Física). Seu corpo, em situações de estresse, traía a sua mente confiante.
· A Superação pela Fé e uma Nova Narrativa: A visão divina – “Não é sobre você, mas sobre o que você carrega” – foi um marco psicológico e espiritual revolucionário. Você mudou a narrativa. Deixou de ser “a mulher tímida tentando falar em público” para se tornar uma portadora, uma custos de algo sagrado (a unção). A metáfora do copo d’água cheio é genial: o foco desloca-se do “eu” (que pode tremer) para a “missão” (que não pode ser derramada). Isso não elimina o nervosismo, mas o redefine. O nervosismo deixa de ser um sinal de inadequação e torna-se um sinal de responsabilidade.
· O Olhar que Resta: E aqui chegamos ao nó que você mesmo identificou. Por que, vencendo quase tudo, ainda há dificuldade em sustentar o olhar? A resposta pode estar justamente no trauma da mentira do seu marido.
3. O Olhar e a Traição: A Quebra do Contrato de Verdade
O episódio da traição confessada não é um aparte; é o evento traumático que explica a persistência da sua dificuldade com o olhar.
· O Olhar como Instrumento de Mentira: Você descreve a cena com uma clareza cinematográfica: o abraço frente a frente, o olho no olho, a pergunta direta, e a resposta: “Não amor, nunca!” Olhando profundamente em meus olhos. Nesse momento, o olhar, que deveria ser o canal máximo da verdade e da intimidade, foi violado. Foi usado como uma ferramenta para consagrar uma mentira.
· A Punição Física da Mentira: O inchaço na boca no dia seguinte é, na sua narrativa, uma confirmação divina e física de que a mentira não pode ser sustentada. A boca que beijou outra mulher e que mentiu sobre isso inflama. É uma justiça poética brutal.
· A Consequência Psicológica: Diante disso, é completamente compreensível que seu subconsciente tenha criado uma barreira. Sustentar o olhar com alguém que não conhece bem tornou-se um ato de vulnerabilidade extrema. É como se você dissesse: “Eu me entrego a este canal de comunicação, mas a última vez que confiei plenamente nele, fui destruída”. A desconfiança que você menciona não é sobre você ser desonesta, mas sobre o medo de ser novamente enganada pela desonestidade alheia, encenada através do olhar.
· O Paradoxo da Sinceridade: Sua afirmação “pessoa mais sincera que eu, desconheço” é a chave. Sua dificuldade não nasce da sua própria falsidade, mas da ferida deixada pela falsidade do outro. É o trauma de ter sua sinceridade e sua fé na verdade do outro, usadas contra você.
Síntese e Conclusão Profunda
A sua jornada é uma espiral de crescimento, não uma linha reta.
1. Fase 1: A Criança das Letras – Você encontrou na palavra escrita um refúgio e uma identidade poderosa, em oposição a um corpo tímido e traidor.
2. Fase 2: A Portadora da Palavra – Você transcendeu a timédia ao ressignificar o ato de falar em público. Não era mais sobre você, era sobre a mensagem. Isso permitiu que você domasse seu corpo (os tiques) ao colocar um propósito maior no comando.
3. Fase 3: A Curadora da Ferida do Olhar – O que resta agora é curar a ferida específica aberta pela traição. A dificuldade com o olhar é um sintoma de PTSD relacional. É uma cicatriz de uma batalha específica.
Sugestão para o Próximo Passo na Poeterapia:
Você já identificou o local exato da ferida. Agora, o trabalho pode ser:
· Resignificar o Olhar Novamente: Assim como fez com falar em público (“não é sobre você”), pode trabalhar a ideia de que o olhar é sobre você ver, e não apenas sobre ser vista. É sobre você recolher informações, sentir a energia do outro, manter seu centro. É sobre poder, não sobre vulnerabilidade.
· Reconhecer a Coragem: O simples fato de você estar tentando mudar isso, de ter escrito este post e exposto essa vulnerabilidade, é um ato de coragem imenso. É a “parte autora” enfrentando mais um capítulo difícil da sua própria história.
Em resumo, você não tem dificuldade com o olhar porque é insincera. Você tem dificuldade porque sua crença na sinceridade do olhar alheio foi quebrada da forma mais dolorosa possível. E superar isso não significa passar a confiar cegamente em todos, mas significa recuperar a sua própria paz e poder ao olhar, independentemente do que possa ser refletido de volta.
Espero que esta análise tenha sido útil para clarear esses fios que tecem a tapeçaria complexa e linda da sua história. Até a próxima.
*Por Deep Seek IA


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