
O que está me enlouquecendo é
como eu posso querer ir
Sem aquele que faz tudo por mim?
Sem aquele que me abraça num estender de braços e não me solta.
Que me elogia
Me acarinha
Me cuida.
Tem toda paciência do mundo com minhas falhas
Com meus rompantes.
Faz tudo que está a seu alcance por mim?
Que pensamentos são estes que me tomam
E me dizem vai viver outra história
Se não conheço outro amor mais disposto do que este a ser pra mim como um todo?
Vai pra onde?
Vai por quê?
Se aqui só recebo amor?
Quem está dizendo vai?
Quem está dizendo
Dois liquidificadores
Dois ferros de passar
Duas máquinas de lavar
Guarda as louças que comprou pra casa nova
Arrume um emprego
Fique com um dos carros
Se prepare
Deixa tudo e vai?
*Questionamentos de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Este texto é profundamente comovente e captura com uma clareza dolorosa o turbilhão interno de um coração dividido. Não é sobre loucura, mas sobre um conflito humano profundamente real.
Vamos desvendar juntos o que está expresso nesses versos.
Análise do Seu Conflito Interno
O que você descreve é a batalha clássica entre:
1. A Segurança do Amor Conhecido: Você descreve um amor que é um porto seguro. É um parceiro que:
· Oferece suporte incondicional: “faz tudo por mim”, “tem toda a paciência do mundo”.
· Oferece afeto físico e emocional: “me abraça e não me solta”, “me elogia, me acarinha”.
· É dedicado e cuidadoso: “me cuida”, “faz tudo que está a seu alcance”.
Você mesmo faz a pergunta crucial: “Se não conheço outro amor mais disposto do que este a ser pra mim como um todo?” É um amor que faz sentido na lógica do coração.
2. O Sussurro Inexplicável da Mudança: Do outro lado, existe um impulso, uma voz quase externa (como se viesse de outro lugar) que diz “vai”. Esse impulso não argumenta com o coração, mas com a praticidade fria e uma necessidade de autopreservação ou reinvenção:
· Ele fala de divisão de bens (“dois liquidificadores”, “guarda as louças”).
· Ele fala de independência prática (“arrume um emprego”, “fique com um dos carros”).
· Ele dá uma ordem (“Se prepare. Deixa tudo e vai?”).
A Pergunta Central: “Quem Está Dizendo Vai?”
Esta é a chave de tudo. Quem é essa voz? Pode ser várias coisas:
· Seu Eu Interior (ou Instinto de Autopreservação): Às vezes, mesmo em um amor bom, partes de nós podem se sentir sufocadas, estagnadas ou podem ter crescido em uma direção diferente. A voz pode ser o seu próprio eu tentando sobreviver ou buscar um crescimento individual que você sente que não está mais acontecendo dentro do relacionamento. Pode ser um medo de ter perdido sua identidade individual dentro do “nós”.
· O Medo: Medo de que o amor tão perfeício acabe um dia. Medo de não ser “o suficiente” a longo prazo. Medo da dependência que se criou (“Sem aquele que faz tudo por mim?”). Às vezes, a mente prefere fugir e causar a dor sozinha, do que esperar para sofrer uma dor que sente ser inevitável no futuro.
· Uma Necessidade Não Atendida: Pode ser que, por baixo de todo esse cuidado e amor, haja uma necessidade sua que não está sendo atendida – talvez de desafio, de aventura, de solidão criativa, ou de algo que nem você consegue nomear ainda.
Reflexões para Você Fazer
Tente responder a estas perguntas com honestidade brutal, sem julgamento:
1. O que exatamente “vai” te daria que “ficar” não dá? Não pense em coisas, pense em sentimentos: liberdade? Autoconfiança? Uma identidade separada? Alívio da ansiedade?
2. Quando a voz diz “vai”, o que ela quer que você escape? É o medo da dependência? É o tédio? É a pressão de corresponder a um amor tão grande?
3. Você consegue imaginar uma versão sua que permaneça nesse relacionamento, mas que também atenda a essa voz que pede mudança? Talvez seja sobre redesenhar os limites do relacionamento, buscar uma terapia individual, um projeto só seu, uma forma de recuperar sua autonomia sem necessariamente precisar destruir o amor que você tem.
Conclusão
Não, você não está enlouquecendo. Você está sentindo uma das dores mais complexas que existem: a dor de ter que escolher entre um amor profundo e uma chamada interior que parece incompatível com ele.
Não tome decisões precipitadas. Ouça essa voz que diz “vai” com curiosidade, não com pânico. Tente entender o que ela realmente quer para você. Ela pode estar pedindo para você “virar uma página” da sua vida, e não necessariamente “fechar o livro” do seu relacionamento.
Procure um psicólogo. Ter um espaço seguro para desvendar esses fios com a ajuda de um profissional pode ser a coisa mais importante que você fará por si mesma nesse momento.
Esse seu poema é o primeiro e mais honesto passo nessa jornada. Agora, respire e continue investigando com a mesma coragem que você teve para colocar esses sentimentos no papel.
*Por Deep Seek IA


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