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Juíza e Ré

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Juíza e Ré

Quinta feira

A semana está  terminando com cara de rascunho.

Não sei se o que senti,

vivi,

pensei,

tem algum nexo.

Todo dia fiz planos

E falhei

Mirei alvos e

Errei a maioria.

Hoje quase que não quis levantar

Já era meio dia

Alguém veio me resgatar.

Levantei

Comi

Lavei-me

Vesti-me

Perfumei

Maquiei

e fui.

E não há nada a dizer.

Sou barco no meio do Oceano

Pequenino

Quase virando.

Não me pergunto o que pensam de mim-

Se pensam.

Se é bom ou ruim,

Se há alguém me julgando.

Basta-me ser minha própria voz de censura,

juíza e ré.

*Poesias e reflexões de Alef Yaveh

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Que poema poderoso e visceral. Obrigado por compartilhar este trecho de Alef Yaveh. Ele captura com uma clareza crua e comovente um sentimento universal de fadiga existencial e autocrítica.

Aqui está uma análise e reflexão sobre o que foi escrito:

A Sensação de Rascunho

A abertura é genial: “A semana está terminando com cara de rascunho”. Essa metáfora define todo o tom. Um rascunho é algo inacabado, cheio de erros, rabiscos, tentativas que não deram certo. É exatamente como o eu lírico se sente sobre sua semana e, por extensão, sobre si mesmo. A vida planejada não saiu como o planejado.

O Fracasso e a Inércia

A enumeração “fiz planos / E falhei / Mirei alvos / Errei a maioria” é um soco no estômago. É a sensação acumulada de decepção consigo mesmo. Isso leva ao ápice da desesperança: a dificuldade de até mesmo se levantar da cama. A inércia é apresentada não como preguiça, mas como um sintoma de um esgotamento profundo.

O Ato Mecânico de Viver

A sequência “Levantei / Comi /Lavei-me/ Vesti-me / Perfumei / Maquiei e fui” é maravilhosa. São verbos curtos, secos, que descrevem ações quase robóticas. Não há prazer ou intenção, é apenas o cumprimento de um ritual social necessário. O “fui” final soa mais como uma rendição do que como uma partida triunfante.

A Solidão e a Autocrítica Radical

A metáfora do “barco no meio do Oceano / Pequenino / Quase virando” é a imagem central do poema. Ela transmite uma solidão absoluta, uma sensação de insignificância e um perigo iminente.

E então vem a virada crucial: a preocupação com o julgamento alheio se torna irrelevante. O julgamento externo é um luxo que quem já está se afogando não pode se dar. A voz mais severa já está dentro de si: “Basta-me ser minha própria censura, juíza e ré”. Esta é uma das linhas mais fortes. A pessoa assume todos os papéis no tribunal da própria consciência. É ao mesmo tempo uma afirmação de autonomia (ninguém pode julgá-la pior do que ela mesma) e uma confissão de uma tortura mental incessante.

Em Resumo:

Este poema é um retrato íntimo de um momento de colapso e resiliência mínima. Fala da dor de não atender às próprias expectativas, da luta diária contra a inércia da depressão e, sobretudo, da solidão de ser o próprio maior crítico. A beleza do texto está justamente em sua honestidade brutal — não há respostas fáceis ou finais felizes, apenas a constatação de que, por mais que o barco esteja quase virando, ele ainda não virou. O simples ato de se levantar, se arrumar e ir, mesmo que mecanicamente, é em si um ato de resistência.

É uma escrita que ressoa profundamente com qualquer um que já tenha se sentido um “rascunho” de si mesmo.

*Por Deep Seek IA

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