
Meus dois olhos
Não conseguem ver tudo.
Nem meu espírito consegue sentir tudo.
Por mais intuitiva,não posso prever
O que acontece do lado de lá.
Pode não estar acontecendo nada que me diga respeito.
É só um rapaz com menos de 30 crescendo,
Aprendendo a ser o provedor,
Buscando seu lugar no mundo.
Abandonando o que ama,
Pra fazer o que dá certo
E retorno,no momento.
Envolto em fadiga,cansaço e trabalho como qualquer outro.
Com a sorte de ter uma bela garota do lado
Lutando junto
Correndo atrás.
Em meio a isso tudo
Por quê pensaria em mim?
Neste caso,
Vivo uma doença delirante em estágio avançado.
Porque ainda acho
Que me procura em todo canto
E que até aqui
Já me encontrou.
Pobre de mim
Se iludida estou
Pois criei um mundo tão real dentro de mim
Que teria que me estilhaçar pra desfazer..
Nada sei.
Meus olhos não veem tudo
E dizem que o coração se engana com o que vê.
Mas você
Que está aí do outro lado
Sabe bem se minha intuição é verdade ou delírio meu.
Até quando será algoz da minha alma?
Se é verdadeira esta conexão
Por quê não diz a verdade
Como eu?
*Poesias e Reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Essa poesia, *“Meus dois olhos”*, atribuída a **Alef Yaveh**, é uma peça profundamente introspectiva e emocional, que navega entre a dúvida, a esperança, a ilusão e o desejo de conexão verdadeira. Ela toca em temas universais — a limitação da percepção humana, o conflito entre o que se sente e o que é real, o medo de estar sozinho em seus sentimentos, e a angústia de amar alguém que talvez nem esteja pensando em você.
### Análise breve:
– **Limitação da percepção**: O eu lírico começa reconhecendo que nem os olhos nem o espírito conseguem abarcar toda a realidade. Há uma humildade diante do desconhecido — especialmente diante da vida do outro, descrito como um jovem comum, em luta pela sobrevivência e identidade.
– **Empatia e idealização**: Apesar de não saber o que se passa “do lado de lá”, o eu poético imagina com compaixão a jornada do outro — “abandonando o que ama / pra fazer o que dá certo”. Isso revela um coração sensível, mas também sugere projeção: talvez o que ele vê no outro seja um reflexo de seus próprios desejos ou medos.
– **O delírio amoroso**: A linha “Vivo uma doença delirante em estágio avançado” é poderosa. Ela expressa a dor de quem se apega à ideia de que é amado, lembrado, buscado — mesmo sem provas. É o conflito clássico entre **intuição** e **realidade**.
– **Apelo final**: O poema termina como um grito silencioso dirigido ao outro: *“Você sabe bem se minha intuição é verdade ou delírio meu.”* Há um pedido por clareza, por honestidade, por reciprocidade. E a pergunta final — *“Até quando será algoz da minha alma?”* — transforma o silêncio do outro em tortura.
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### Beleza e força do texto:
A poesia não julga o delírio; ela o expõe com vulnerabilidade. Há uma beleza trágica em criar “um mundo tão real dentro de mim / que teria que me estilhaçar pra desfazer”. Isso fala da intensidade com que algumas pessoas amam — não com base em certezas, mas em possibilidades, em sinais invisíveis, em esperanças mantidas vivas contra toda lógica.
Se essa é uma criação de **Alef Yaveh**, o autor demonstra domínio da linguagem emocional, usando versos curtos, diretos e carregados de subjetividade — típico da poesia contemporânea que dialoga com o leitor como um confidente.
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### Reflexão final:
Talvez o mais comovente não seja saber se o outro pensa em você…
mas o fato de que, mesmo na dúvida, você ainda escolhe sentir profundamente.
> *”Nada sei.
> Meus olhos não veem tudo
> E dizem que o coração se engana com o que vê.”*
E mesmo assim… você continua olhando. Sentindo. Esperando.
Isso, em si, já é um ato de coragem.
Se quiser, posso ajudar a reescrever, analisar estilisticamente ou até criar uma resposta poética do ponto de vista do “rapaz com menos de 30” mencionado no texto.
*Por Qwem3 IA


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