
Dirigi um carro mais simples.
Achei que não conseguiria.
Relutei a princípio
Mas dei conta.
Parece uma piada:
Pedi um automático
O nosso foi para o conserto
E o marido trocou a moto por este,mais antigo.
Todo dia eu tenho que lidar com pequenas quebras de expectativas.
Para aprender alguma lição da qual me orgulhe no final.
Mas eu tenho questionado tantas coisas!
Há uma parte de sobriedade,maturidade e honra
E há outra que já não crê em nada.
me esforço para ter valor
Mas tenho a impressão de que o valor se desgasta a cada instante.
Deus estou cansada das promessas
Tudo o que preciso é tocar com as mãos meus sonhos
Vestir-me deles e usufruir.
obrigada pelo fôlego ,
Já é vitória exercitar-me
Beber água
Comer saudável
Vencer a preguiça e enfrentar a enorme pilha de roupas a passar..
Já é vitória contemplar a beleza de meus três meninos
E a devoção de um marido que luta tanto pra me ver feliz.
Deixo contigo os nós na minha garganta.
Meus resultados ruins-
no decorrer dos anos.
Minhas dúvidas,
incredulidade
e desconfianças-
acho que as três palavras redundam entre si
Mas realmente preciso de provas agora
Apenas promessas não me mantém.
O dia está apenas começando,
e o mês ,
O ano já está acabando .
Uma menina ingênua eu não sou mais.
*Oração reflexiva de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto forte e sincero. Não é apenas um desabafo, é uma oração reflexiva, um registro preciso de um estado de espírito que tantos de nós conhecemos. O cansaço de lutar, a frustração das promessas adiadas e, ao mesmo tempo, a teimosa e corajosa celebração das pequenas vitórias.
Aqui está uma reflexão sobre o que você compartilhou, tentando honrar a profundidade de cada sentimento:
Sobre dirigir o carro mais simples e as quebras de expectativas:
Há uma beleza dura e real na sua narrativa. O carro mais antigo, trocado pela moto, é um símbolo potente de como a vida, por vezes, nos entrega um volante diferente do que pedimos. E o “dar conta”, mesmo com relutância, é o primeiro ato de heroísmo do dia. Você não só dirigiu o carro, mas dirigiu a decepção. Essa é a “soberania, maturidade e honra” de que você fala: a coragem de seguir com os recursos disponíveis, mesmo que não sejam os dos sonhos.
Sobre o cansaço das promessas e a necessidade de tocar os sonhos:
Este é o grito do coração que já não se contenta com o etéreo. “Apenas promessas não me mantém” é uma das declarações mais verdadeiras que alguém pode fazer. Não é falta de fé; é o amadurecimento de uma fé que exige encarnação, realidade, textura. Você não quer mais ouvir sobre a terra prometida, quer pisar nela. Quer vestir-se dos sonhos, não apenas sonhar com eles. Isso não é incredulidade; é um pedido profundo por um Deus que se manifesta no tangível, no agora.
Sobre a vitória nas coisas pequenas e a devoção da família:
Aqui mora a sua âncora. Num mundo de “resultados ruins no decorrer dos anos”, você se agarra às vitórias que estão ao seu alcance: beber água, passar a pilha de roupas, contemplar a beleza dos seus filhos. É na disciplina do autocuidado e no amor concreto do seu marido que você encontra o chão firme. Isso é sabedoria pura. É reconhecer que, enquanto os grandes sonhos parecem distantes, o santuário do seu lar e do seu próprio corpo são territórios que você pode governar e nos quais pode encontrar beleza.
O nó na garganta e o pedido final:
Você entrega a Deus o nó na garganta – essa mistura de dúvidas, incredulidade e desconfianças. E faz um pedido ousado: “Realmente preciso de provas agora.” Não há mal algum nesse pedido. A história da espiritualidade está cheia de pessoas que, como Tomé, pediram para ver as feridas, tocar os sinais. A fé que não tem medo de questionar é uma fé que está viva e lutando por seu sustento.
Uma Palavra Final de Reflexão:
Alef Yaveh, você não é mais a menina ingênua. E talvez essa seja a maior vitória escondida no texto. A ingenuidade foi substituída por uma resistência ferida, mas ainda de pé. Você já não crê em tudo, mas ainda assim se esforça, cuida da sua casa, ama sua família e, no fundo, ainda ora. Isso não é um fracasso da fé; é a sua transformação em algo mais resiliente, mais real, mais seu.
O ano pode estar acabando, e com ele a paciência para velhas promessas. Mas o dia está apenas começando. E você, com suas dúvidas, seu cansaço e sua impressionante lista de pequenas vitórias, está nele. Segurando o volante do carro mais simples, mas ainda assim dirigindo.
Que as provas que você busca se manifestem não apenas em milagres espetaculares, mas na força que você já demonstrou para beber um copo d’água, na paz que encontra ao observar seus filhos e na coragem de ter escrito esta oração. Às vezes, a maior prova de que somos ouvidos é a própria lucidez com que enxergamos nossa luta e a força que nos é dada para, mesmo cansados, continuar nela.
“Oração reflexiva de Alef Yaveh” — que você continue a registrar estas orações. Elas são, em si mesmas, um ato de fé. Um testemunho de que o diálogo, mesmo quando difícil, ainda não foi abandonado.
“Entrego a Deus os nós na sua garganta.
Que Ele os desate com a delicadeza do amanhecer
e os transforme no canto que vem depois do silêncio.
Que as provas que você anseia cheguem
não como um estrondo,mas como a luz que, aos poucos,
preenche a sala e revela que você nunca esteve sozinha.
Amém.”
*Por Deep Seek IA


Deixe um comentário