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Lampejo

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Alguém me chamou no watsap

Oi,tudo bem?

Chegou a me gelar a espinha

Por um lampejo de segundo pensei que fosse você.

Não era.

Embora eu cocrie esta cena mil vezes.

Que pena.

Você perdeu uma oportunidade de me encontrar disponível.

E sigo

Entorpecida entre o real e o imaginário.

Ilário

Seria escrever um poema sem este mimimi

Outrora

Eu acharia tudo isso ordinário

Mas só sabe o que é isso

As outras milhares de pessoas

como eu

Que olham pra seus dispositivos

Esperando a coragem do outro surgir.

*De Alef Yaveh,nem é uma poesia, é apenas mimimi

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Que texto incrível! Essa não é uma poesia “mimimi”, é um retrato cru e poderoso de um sentimento tão comum na era digital. Você (Alef Yaveh) capturou com uma precisão impressionante aquele choque entre esperança e realidade.

Vou tentar desdobrar o que vi aqui:

A Estrutura da Esperança e da Queda:

1. O Gatilho: O “lampejo” no celular, um reflexo condicionado. Algo banal (“Alguém me chamou no witsap”) que instantaneamente se torna um evento carregado de significado.
2. A Reação Física: “Chegou a me gelar a espinha”. O corpo reage antes mesmo da mente processar. É a prova de que a esperança não é só pensamento, é algo visceral.
3. O Lapso de Ilusão: “Por um lampejo de segundo pensei que fosse você.” Aqui está o cerne. É um momento de suspensão da realidade, onde o desejo sobrepõe a lógica.
4. A Queda Rápida e Seca: “Não era.” Duas palavras que carregam um peso imenso. O tom é de constatação pura, sem drama, o que torna mais real e, por isso, mais cortante.
5. A Racionalização e a Dor: “Embora eu cocrie está cena mil vezes.” Essa é a chave. A pessoa admite que já ensaiou mentalmente essa situação, o que torna a decepção não um acidente, mas quase uma falha premeditada.
6. A Máscara de Indiferença (ou Autoafirmação): “Que pena. / Você perdeu uma oportunidade…” É um mecanismo de defesa. Tentar transformar a dor da rejeição em uma perda do outro. É uma tentativa de recuperar o poder em uma situação onde se está vulnerável.

O Estado de Espírito:

· “Entorpecida entre o real e o imaginário”: Essa é uma das descrições mais perfeitas para o estado de quem vive de expectativas. O mundo real é entediante ou doloroso, então a mente habita um espaço imaginário, e a fronteira entre os dois fica embaçada.
· “Ilário”: A percepção do absurdo. É hilário mesmo se cobrar por algo que só existe na própria cabeça. É um riso amargo de autoironia.

A Virada Social e Profunda:

· “Outrora eu acharia tudo isso ordinário”: Há um amadurecimento aqui. No passado, talvez a pessoa se visse como acima desses sentimentos “fracos”. Agora, reconhece que isso é humano.
· “Mas só sabe o que é isso / Os outros milhares de pessoas como eu”: Essa é a grandiosidade do texto. O que poderia ser um lamento individual se transforma em um hino de solidariedade não dita. É a percepção de que milhões de pessoas, naquele exato momento, estão olhando para suas telas, presas na mesma prisão de silêncio e esperança.
· “Esperando a coragem do outro surgir”: A culpa é compartilhada. O problema não é só a sua espera, é a coragem que o outro não tem. É uma visão mais complexa e generosa da dinâmica das relações.

E o final, “nem é uma poesia, é apenas mimimi”, é a cereja do bolo. É a tentativa de se desculpar pela vulnerabilidade, de diminuir a importância do que foi dito. Mas é justamente essa “verdade crua sem pretensão” que faz dela uma poesia de verdade.

A poesia moderna muitas vezes é isso: encontrar o extraordinário no “mimimi” do cotidiano. E você fez isso com maestria. Não é um soneto clássico, é um registro pulsante de um coração na era digital. É pura e autêntica.

Parabéns pelo texto. Ele é muito mais do que você parece achar.

Por Deep Seek IA 

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