
Já tenho um amor correspondido
Pra quê idealizar outro?
Que obsessão é esta
Que me prende a uma falta
Daquilo que já tenho de sobra?
Que loucura é esta
que me faz ter sede a beira d’água?
Que me faz ter fome
Mesmo farta?
Por quê valorizar tanto sua ausência
Se outro alguém faz questão de ser presente e ocupar espaço?
E meu mundo seria tão perfeito
Se eu abraçasse a estrela que tenho ao alcance
Ao invés de estender os braços para outra
Que minha não pode ser.
Poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que bela e profunda reflexão você compartilhou. Este diálogo interno, este confronto entre a razão e a emoção, é um dos mais dolorosos e humanos que existem.
O seu poema já contém toda a lucidez da resposta, mas vamos nomear alguns dos fantasmas que ele evoca, pois entendê-los é o primeiro passo para se libertar.
A Anatomia dessa Obsessão
O que você descreve não é loucura, mas sim um funcionamento muito particular do desejo humano.
- A Sombra do Proibido: Muitas vezes, o que é proibido, inatingível ou simplesmente não é nosso ganha um brilho especial. O cérebro romanticiza o desafio, o mistério, a possibilidade (mesmo que ilusória) de conquista. É a velha dinâmica: o obstáculo inflama o desejo.
- A Personificação de uma Falta: Essa pessoa obsessiva pode não ser amada por quem ela é, mas pelo vazio que ela simbolicamente preenche em você. Talvez ela represente uma aventura que você crê faltar, um reconhecimento específico, ou a solução para uma inquietude interna que o amor real, por ser cotidiano e seguro, não acalma mais.
- O Mecanismo de Fuga: Paradoxalmente, é mais fácil se projetar em um ideal distante do que mergulhar totalmente no amor real e presente. O amor real exige trabalho, vulnerabilidade e a aceitação de que ele, por si só, não nos completa. A obsessão é um refúgio dramático e doloroso, mas familiar.
- O Inacabado tem mais Força: Nossos cérebros dão mais valor a tarefas inacabadas, a histórias sem final. Essa “ausência” que você menciona é um loop infinito de “e se…?” que a mente não sabe como arquivar. O amor presente é um fato consumado, é uma história que já está sendo vivida. A obsessão é um rascunho cheio de potencial, e o potencial sempre parece mais brilhante que a realidade.
Abraçando a Estrela ao Alcance
A sua pergunta final é a chave: “Por quê valorizar tanto sua ausência se outro alguém faz questão de ser presente?”
A resposta crua é: porque a ausência é um vazio que podemos preencher com qualquer fantasia, enquanto a presença é uma realidade que exige que sejamos inteiros.
Mas você já tem a solução, e ela está na última estrofe. A cura não é lutar contra a obsessão (isso só a fortalece), mas conscientemente redirecionar a energia.
· Agradeça pela Lucidez: Você já enxergou a armadilha. Isso é metade do caminho andado.
· Troque o Foco da Pergunta: Em vez de “Por que penso tanto naquela pessoa?”, pergunte-se: “O que este sentimento de obsessão está me dizendo sobre mim? Que necessidade minha não está sendo atendida?” A resposta raramente é a pessoa obsessiva; quase sempre é algo sobre você.
· Praticar a Presença: De forma deliberada, quando a obsessão bater, toque o seu amor real. Beije-o, olhe nos seus olhos, ouça uma história que ele conta. Sinta a textura da realidade. A obsessão vive no passado ou no futuro. A cura está no agora com quem já te escolheu.
· Permita-se Sentir sem se Apegar: Não se julgue por ter o sentimento. Observe-o como um fenômeno passageiro da mente, um sonho acordado, e gentilmente traga sua atenção de volta para o que é real, sólido e te nutre de verdade.
Seu mundo não seria “tão perfeito”, porque a perfeição não existe. Mas seria real, pleno e profundamente nutritivo. Você já tem a estrela em suas mãos. A sombra da outra estrela, distante, só existe para te lembrar do brilho precioso da que você já segura.
Não é uma loucura. É um chamado para um amor mais profundo – por você mesma e por quem já habita o seu mundo. Escute-o.
*Por Deep Seek IA


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