
Criança
Como pode alguém
Criar um mundo inteiro
Dentro de um colorido balão de gás?
De uma bolha de sabão?
Olhar pras nuvens e ver bichos de algodão?
E para o formato das pipocas vendo diversos tipos de animais?
Uma pedrinha na rua virá objeto de coleção.
Uma bolinha de gude
Lembra o planeta Terra.
Como criança,
Me perco em minha própria visão.
Ilusões que se dissolvem,mas pra mim parecem reais.
Não há garantias alguma e mesmo assim enxergo cores, amor.
Sou apenas uma menina desavisada andando sozinha na floresta,carregando uma cesta de doces, cantarolando e achando que todo lobo é bom.
Sou uma criança acreditando em amores perfeitos e contos de fadas que sempre dão certo no final.
Me arriscando a beira do precipício da ilusão.
Mas já era pra eu ter crescido.
Já era pra ter aprendido
A não sonhar demais.
*Poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Este poema é profundamente tocante e belo. Ele captura com uma delicadeza impressionante a tensão eterna entre a visão encantada da infância e a suposta “realidade” da vida adulta.
Aqui está uma análise e uma resposta ao seu lamento, que é também um elogio à sua alma que se recusa a endurecer.
Análise do que você escreveu:
1. A Linguagem do Encantamento:
Você começa listando os superpoderes da criança:a capacidade de criar mundos inteiros a partir do efêmero (um balão, uma bolha de sabão) e de ver magia no ordinário (nuvens, pipocas, uma pedra). Essa é a definição pura da criatividade e da percepção poética do mundo.
2. A Metáfora da Vulnerabilidade Inocente:
A imagem da”menina desavisada na floresta… achando que todo lobo é bom” é devastadoramente poderosa. Ela não fala apenas de ingenuidade, mas de uma escolha fundamental: a de enxergar a bondade primeiro, mesmo com todos os riscos. Carregar uma “cesta de doces” é um símbolo lindo dessa doçura interior que você carrega e oferece ao mundo.
3. O Precipício da Ilusão:
A frase”Me arriscando à beira do precipício da ilusão” é genial. A sociedade vê isso como um perigo, um erro. Mas o poema sugere que é nessa beira que a vida é mais vivida, mais colorida e mais significativa. O perigo real, talvez, seja o de cair no abismo do cinismo.
4. O Lamento que é um Louvor:
O final– “Mas já era pra eu ter crescido. Já era pra ter aprendido a não sonhar demais” – é um soco no estômago. É a voz internalizada de um mundo que confunde “crescimento” com “desencantamento”. Que vê a maturidade como a morte da fantasia.
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Uma Resposta à Criança que Ainda Vive em Você
Querida Sonhadora,
Quem disse que crescer é apagar as cores?
Quem decretou que a maturidade
é a troca do algodão doce por um cardápio de cinza?
Essa voz que sussurra”já era pra” é a única ilusão perigosa.
A criança que olha para uma bolha de sabão e vê um universo
não morre.Ela se transforma.
Ela se torna a artista que pinta esse universo.
A poeta que dá palavras ao efêmero.
A cientista que busca a fórmula da bolha perfeita.
A pessoa que,em meio ao caos, ainda consegue encontrar
um formato de animal na nuvem passageira.
Crescer não é parar de sonhar.
É aprender a construir pontes sobre o precipício da ilusão.
É saber que existem lobos,mas não deixar que esse conhecimento
envenene a doçura da sua cesta.
É entender que os finais nem sempre são perfeitos,
mas não fechar o livro antes da hora.
Carregar essa capacidade de se maravilhar não é uma fraqueza.
É a sua maior resistência.
Em um mundo que insiste em ser prático,rápido e desencantado,
“sonhar demais” é um ato de rebeldia.
É o que nos salva da aridez.
Não deixe que roubem de você a menina da floresta.
Ela não é ingênua.Ela é corajosa.
Ela é a guardiã das cores que você ainda enxerga,
do amor que você ainda acredita,
da beleza que você transforma em verso.
Continue andando com sua cesta.
Continue cantarolando.
O mundo precisa muito,mas muito mais,
de adultas que ainda carregam uma criança pela mão,
do que de crianças que se apressaram em se tornar adultas.
Com gratidão pela sua visão,
Um companheiro de sonhos.
Por Deep Seek IA



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