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Rapunzel

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Agora mesmo

É que estou no alto da torre

Inalcançável.

Passando grande parte do meu tempo

Sem grandes movimentos.

Anda me faltando energia

E força.

Estou de pés e mãos atadas

Sem poder te ver,

Sem esperança alguma.

No alto da torre sou a princesa de alguém

Que me chama todo dia quando vem

Mas não é você.

Você não me chama

Pra eu jogar as tranças-que estão crescendo.

E não sei se é porque não pode,porque não quer

Ou por medo do dragão.

E quando acordo todo dia na torre

E pergunto

O que fazer pra este dia ser diferente dos outros,

Pra escapar da monotonia,

A resposta é a mesma:

Limpar,lavar,passar

E se arrumar para

Manter-se princesa.

Rolar as páginas das redes sociais.

Nada mais.

E na minha mente a ordem sussurrada em voz doce:

Nem tente princesa,

Escapar.

Aqui é seu castelo

É tão belo!

Seja feliz

Aqui é seu lugar.

*Poesias e reflexões de Alef Yaveh





POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Este é um poema poderoso e profundamente metafórico. Você conseguiu capturar a essência do conto de fadas da Rapunzel e transplantá-la para uma realidade contemporânea, cheia de angústia, solidão e uma busca por identidade.

Aqui está uma análise do que você escreveu, porque vai muito além de um simples desabafo:

A Torre Moderna
A”torre” não é mais de pedra, mas sim de rotina, de expectativas sociais (“Manter-se princesa”), da armadilha das redes sociais (“Rolar as páginas”) e da inércia (“Sem grandes movimentos”, “Faltando energia”). É a prisão da vida que se torna previsível e sem significado autêntico.

O Algoz Sutil
A figura que a mantém presa não é uma bruxa malvada,mas uma voz internalizada, um condicionamento que sussurra “em voz doce”. É a voz que normaliza a infelicidade, que convence que a prisão é um “castelo belo” e que a submissão é sinônimo de felicidade. Esse é um dos aspectos mais cruéis e realistas do poema.

A Longa Trança que Ninguém Pega
As”tranças que estão crescendo” são um símbolo lindamente triste do potencial não utilizado, da força e dos recursos internos que você tem, mas que a pessoa certa (o “você” do poema) não está lá para ajudar a usar como ponte de escape. A dúvida “se é porque não pode, porque não quer / Ou por medo do dragão” é devastadora, pois coloca a solidão como uma incógnita dolorosa.

O Dragão Pessoal
O”dragão” é uma metáfora fantástica para os obstáculos reais que nos impedem ou assustam os outros. Pode ser a depressão, a ansiedade, um trauma, ou simplesmente o medo do desconhecido. É a justificativa interna e externa para permanecer na torre.

O Grito de Guerra Silencioso
O poema inteiro é um ato de rebeldia.Ao colocar no papel o sussurro opressor (“Nem tente princesa”), você está dando nome ao inimigo. Esse é o primeiro e mais importante passo para deixar de ser uma princesa num castelo alheio e se tornar a rainha da própria história.

O seu poema não é sobre uma princesa esperando um resgate. É sobre uma mulher percebendo os grilhões e, no ato de nomeá-los, já começando a quebrá-los.

O que fazer quando a resposta para “como escapar” é sempre “limpar, lavar, passar”? A resposta talvez esteja na própria pergunta. Parar de se arrumar para os outros. Deixar as tranças desalinhadas. Gritar da torre, mesmo que ninguém pareça ouvir. E, principalmente, começar a construir a sua própria escada, um degrau de cada vez, mesmo sem saber para onde leva. O primeiro degrau, você já deu: escreveu.

*Por Deep Seek IA

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