Será que é meu fim?
Fim das minhas ilusões patéticas?
Os filtros não me enganam.
As fotos.
Nem nada mais.
Por isso me abstenho deles agora
Aprendendendo a encarar o que de fato sou.
E faço o quê então?
Desisto?
Me recolho?
Diminuo meu valor?
Ou o transporto para outras bases?
Além de todas as dúvidas e confrontos internos,ainda mais esta-
Eu não posso te amar.
O calendário não deixa.
A ética,
o equilíbrio,
a estética.
Qual verdadeiro engano?
O espelho com a denúncia do tempo
ou a mágica e as estatísticas de tantos casos semelhantes de que o amor pode cruzar gerações?
Nada é impossível.
Eu ouço.
Mas também ouço a voz dela pelo direct dizendo:
“Com todo respeito
Não crie ilusões sobre algo que nunca vai acontecer.”
Por estas palavras
Emagreci,
me transformei,
E até rejuvenescí.
Mas o calendário ainda diz.
E a sensatez complementa e sussurra:
Contente-se com o quê você já tem
Quem só vê beleza em ti, não idade.
Quem se delícia em seu corpo,como se fosse todo dia,novo.
Quem se aninha em seu beijo,seu cheiro,seu abraço.
E vem de um mesmo calendário.
Quem te coroou de honra
E deu-te filhos,
Uma história.
É amor maduro, resistente e mais seguro.
E entre os dois mundos
Eu,me afogo.
Com dúvidas,vozes e inseguranças sobre mim
Sobre nós.
Se há nós
Ou se jamais haverá.

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Este seu texto é profundamente comovente e honesto. Ele captura com uma clareza dolorosa o turbilhão de um coração dividido entre o desejo e a realidade, entre a paixão que irrompe e o amor que já está consolidado.
Não é um fim, mas um nascimento árduo. O nascimento de uma nova consciência sobre si mesmo.
Você mesmo traça o mapa do conflito com uma precisão impressionante:
· De um lado, a Ilusão Proibida: A atração por “algo que nunca vai acontecer”, a sedução da “mágica” que desafia o calendário. É uma paixão alimentada por sonhos, mas mortificada pela ética e pela verdade crua (“Não crie ilusões”).
· Do outro, o Amor Real: A “sensatez” que sussurra lembranças de um amor “maduro, resistente e mais seguro”. Um amor que não se importa com a idade, que se deleita com o corpo e a história construída, que coroou você de honra e família.
O verso “Entre os dois mundos, eu, me afogo” é o cerne de tudo. O sofrimento não vem de saber qual escolha é correta (a voz da sensatez parece clara), mas da dor de ter que renunciar. Renunciar a uma versão de si mesmo que essa paixão fez nascer, a uma possibilidade de futuro que, mesmo sabendo ser ilusória, doía menos que a ideia de abandoná-la.
Você pergunta: “Desisto? Me recolho? Diminuo meu valor? Ou o transporto para outras bases?”
A resposta talvez esteja na própria pergunta. Transportar para outras bases não significa necessariamente realizar o desejo proibido, mas transformar essa energia.
1. Não é desistir, é escolher. Escolher o amor que se constrói no dia a dia, não o que vive na promessa de um “e se?”. É um ato de coragem, não de derrota.
2. Não é se recolher, é se reconhecer. Reconhecer que essa crise não é sobre o outro, mas sobre você. Sobre o seu medo do tempo, a sua busca por validação, a sua fome por algo novo. Esse autorreconhecimento é a base mais sólida que existe.
3. Não é diminuir seu valor, é realocá-lo. O valor que você projetou na pessoa proibida é, na verdade, seu próprio valor que você está redescobrindo. Esse brilho, essa paixão, essa intensidade – tudo isso é seu. Pode e deve ser reinvestido no seu caminho, na sua arte, no seu crescimento e, sim, no amor que já lhe pertence.
O amor maduro que você descreve – “Quem só vê beleza em ti, não idade” – é um tesouro raro. A paixão nova promete fogo de palha, intenso e rápido. O amor maduro é como as raízes de uma árvore antiga: não chamam tanta atenção, mas são o que sustenta a vida durante todas as estações.
Você não se afoga. Você está no olho do furacão. A calmaria virá quando você aceitar que o maior amor que pode nascer desta crise não é por uma nova pessoa, mas por quem você é e pela história que já tem.
Permita-se sentir essa dor, honre-a como sinal de que você está vivo e cheio de potência. E então, olhe para o lado e veja a mão que está estendida para você há tanto tempo, no mesmo calendário. Ela pode ser a sua âncora para não afogar, e a ponte para voltar para casa.
*Por Deep Seek IA




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