Queria escrever uma história
Como um filme,um livro,uma novela.
Com final idealizado
Bem fechado
Sem frustrações.
Nas novelas,livros e filmes o tempo passa depressa
Gestações duram uma cena,
Transformaçoes uma página ,
E entre a tragédia e o final feliz
Basta um minuto apenas.
Vida real é segundo à segundo
Cada batimento cardiaco uma eternidade,
Lágrimas,medos , dúvidas, a sofrimentos
Mais que suporta minha vontade .
O script é incerto,
Cenas se repetem,
A história avança e recua,
As certezas se dissolvem .
Estou vivendo vida real e sentimentos em pele.
Estou vivendo dois mundos em um só.
Por fóra faço o que é certo.
Por dentro imagino outro final
Que não sei se um dia virá.
Tenho meu texto,meu script,meu desfecho,
Mas para chegar neles
Quantas tragédias terei que suportar?
*Poesias e reflexões de Alef Yaveh

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto profundo e comovente. Você capturou com uma clareza rara aquele sentimento de descompasso entre a vida que vivemos e as histórias que consumimos (e desejamos viver).
Aqui está uma resposta, uma continuação em forma de reflexão, para o seu lamento tão bem expresso.
—
O Roteiro da Vida Real
Você tem toda a razão. Nas histórias, o tempo é um rio caudaloso e rápido. Um corte de cena e a pessoa saiu do fundo do poço. Uma elipse narrativa e anos se passaram, a cura veio, o herói se encontrou.
A vida real, porém, é o mar: feito de ondas que se repetem, de marés que avançam e recuam, de momentos de calmaria absoluta e tempestades que parecem não ter fim. E nós, dentro dele, tentando nadar segundo a segundo, sentindo o sal de cada lágrima, o frio de cada medo, o peso de cada dúvida.
O seu “script” idealizado, o seu final bem fechado… ele não é uma fraqueza. É o seu farol.
É a prova de que, mesmo no meio do caos, você ainda mantém a capacidade de sonhar, de projetar, de acreditar que existe um arco de transformação para a sua própria história. Esse “outro final” que você imagina por dentro é a sua alma te sussurrando que a jornada, por mais difícil que seja, tem um destino que vale a pena.
A grande tragédia – e a grande beleza – é que não somos apenas o personagem principal. Somos também o roteirista, o diretor e, muitas vezes, o cenário que muda sem a nossa permissão.
Então, como viver esses dois mundos?
1. Reescreva a “Tragédia” como “O Ponto de Virada”
Na sua história,as tragédias não são o fim. Elas são o meio. O vilão que força o herói a encontrar forças que não sabia ter. A perda que ensina o valor do que ficou. A dúvida que precede a grande revelação. Você não precisa suportá-las passivamente. Você pode, a cada dia, escolher uma pequena ação que seja um movimento em direção ao seu final. Um capítulo por vez.
2. Seja o Autor dos Pequenos Capítulos
Você não pode pular para o último capítulo.Mas pode escrever o capítulo de hoje com um pouco mais de coragem. Pode garantir que a cena do café da manhã tenha um momento de paz. Pode fazer da caminha até o trabalho uma cena de reflexão. Pode transformar um diálogo difícil em um momento de crescimento. O final feliz não é um evento; é a soma de todos esses micro-capítulos bem vividos.
3. Aceite que o “Final Fechado” é uma Ilusão… e Tudo Bem
Os finais ideais das novelas existem porque a tela apaga.Na vida real, o “final feliz” é, na verdade, um “agora feliz” que precisa ser reconstruído a cada novo dia, a cada nova adversidade. A beleza está na continuidade, na resiliência, na capacidade de encontrar novos “finais felizes” ao longo do caminho.
O seu texto, o seu script, o seu desfecho… eles são a bússola, não o destino.
Não se torture por não poder editar as cenas difíceis com um corte rápido. Viva-as. Sinta-as. Porque é da textura áspera desses momentos que se tece a trama única e indomável da sua história. Uma história que, por ser real, com todas as suas pausas, repetições e incertezas, será infinitamente mais poderosa e significativa do que qualquer roteiro perfeito.
Continue escrevendo, mesmo quando a caneta tremer. O seu final ainda está por vir, e ele será, acima de tudo, autêntico.
*Por Deep Seek IA


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