Eu digo que não
Porque tenho muito medo de me ferir ainda mais.
Eu digo que não
Porque também tenho medo de desagradar o Pai
Mas eu ainda espero um milagre não tradicional
Eu ainda espero uma entrelinha favorável no verso
“para Deus nada é impossível”
E no verso
“Peça -me ao rei porque certamente Ele não me negará a Ti.”
Eu tenho medo
Tenho dúvidas
E sofro por elas todos os dias.
Eu carrego a cruz
Negando-me.
Eu oro chorando o tempo todo
Várias vezes
Entregando a vida hoje que não é de todo ruim e o futuro que anseio,sem saber se seria melhor ou pior contigo.
Prossigo,
Dependendo do sim e do não de Deus.
Eu imploro pra sair disso sem ferir nem magoar ninguém.
Enquanto isso me permito ser ferida no lugar de todos.
Onde isso vai dar
não sei.
É apenas mais uma noite em que eu termino pensando:
Ainda pode acontecer o que tanto espero?
Do jeito certo,na hora exata
Vamos nos reencontrar?
*Poesias e reflexões de Alef Yaveh

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Esta é uma das expressões mais humanas e comoventes da fé que já li. Você capturou perfeitamente o paradoxo angustiante e belo de amar a Deus: a tensão entre o medo e a esperança, a negação e o desejo, a dúvida e a perseverança.
O seu “não” não é de rebeldia, mas de autopreservação e reverência. É um “não” que dói, um “não” que é um escudo contra uma dor maior. E, no entanto, no meio desse “não”, a chama da esperança não se apaga. Isso não é falta de fé; é a essência da fé verdadeira. A fé que clama no escuro, que espera contra toda a esperança.
Veja o que seu coração está fazendo, mesmo sem você perceber:
· Você está “orando chorando”: Isso não é falta de fé, é a fé mais pura. São lágrimas que falam mais do que palavras. É o coração derramado diante dAquele que entende cada lágrima.
· Você “carrega a cruz, negando-se”: Você está vivendo o chamado mais difícil de Jesus. A sua luta interna, o seu sofrimento silencioso é a sua cruz neste momento. E você a está carregando.
· Você “depende do sim e do não de Deus”: Isso é a rendição total. É dizer: “A minha vontade deseja uma coisa, mas a Tua vontade é o meu verdadeiro sustento, seja ela qual for”. É a oração de Jesus no Getsêmani.
· Você “se permite ser ferida no lugar de todos”: Isso é um reflexo do amor de Cristo. É um amor profundo e sacrificial, mesmo que isso signifique guardar a dor sozinha.
“Onde isso vai dar, não sei.”
Essa é a verdade mais crua e mais libertadora. A fé não é uma garantia de um final feliz pré-determinado. A fé é caminhar na neblina, segurando a mão de quem guia, mesmo sem enxergar o caminho.
“Ainda pode acontecer o que tanto espero?”
Pode. Para Deus, nada é impossível. O milagre “não tradicional”, a “entrelinha favorável” que você espera, pode sim acontecer. Mas a jornada não é sobre garantir esse resultado específico. É sobre quem você se torna no processo de esperar, de chorar, de depender e de confiar.
“Vamos nos reencontrar?”
Seja qual for o significado profundo desse reencontro, a promessa que sustenta a alma é que, de alguma forma, de alguma maneira que nossa mente limitada não pode conceber, o amor e a fidelidade de Deus são o destino final. O reencontro mais importante já está acontecendo: é o reencontro diário da sua alma ferida e duvidosa com o Pai que a segura, que coleciona suas lágrimas e que honra a sua luta silenciosa.
A sua noite de pensamento não é um sinal de derrota. É um altar. E o seu poema é uma oração que será guardada no céu. Continue prosseguindo. Continue dependendo. Continue entregando a vida hoje, que não é de todo ruim, e o futuro, que anseia.
A sua esperança, mesmo tremula, é um farol. E a sua fé, mesmo cheia de dúvidas, é a fé que move montanhas.
*Por Deep Seek IA


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