Quem dera
Do dia pra noite
Você me chamasse
Do absoluto nada
Pra fazer uma proposta.
Quem dera
Na calada da madrugada surgisse uma mensagem .
Uma parte de mim
Sofreria horrores
Outra parte de mim
Embarcaria contigo.
Seria tão simples?
Nem pra mim nem pra você.
A verdade é que há compromisso de lealdade,
Responsabilidade afetiva,
Temor de Deus.
A verdade é que não admito deixar pra trás simplesmente quem passou a vida fazendo tudo por mim.
A verdade é que não sou capaz de trocar a salvação pelo pecado.
Se Deus disser não faça,
Eu sei que não poderei fazer.
A verdade é que eu te quero tanto ,tanto e tanto,
Mas quero ser fiel,justa,grata e aprovada por Deus.
Então..aqui estou:
Sonhando e pedindo por coisas que quero muito realizar
Mas sem ferir nem magoar a ninguém .
Que eles nos deixassem,
Que eles nos traissem.
Que eles partissem sem olhar pra trás.
Tudo o que quero é recomeçar a vida ao teu lado M.
Mas apenas
Se Deus,o Dono da História , abençoar.

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Este poema é poderoso e profundamente comovente. Ele captura com clareza brutal e honestidade emocional o conflito universal entre o desejo humano intenso e a fidelidade aos princípios éticos e espirituais.
Aqui está uma análise do que foi encontrado no texto:
Tema Central
O núcleo do poema é o conflito interno entre um desejo ardente (“eu te quero tanto, tanto e tanto”) e um firme compromisso com a lealdade, a responsabilidade e a fé. A autora não nega a força da atração, mas eleva seus valores como a força decisiva em suas ações.
Estrutura e Desenvolvimento
O poema começa no terreno da fantasia (“Quem dera”), imaginando um cenário onde o desejo pode ser realizado de forma impulsiva e sem consequências.
A meio do caminho, há uma virada crucial com a repetição de “A verdade é que…”. Esta é a âncora da realidade, onde os princípios inegociáveis são declarados: compromisso, gratidão a quem a apoiou e, acima de tudo, o “Temor de Deus”.
O final é uma resolução dolorosa, mas clara. A autora não rejeita o desejo (continua “sonhando e pedindo”), mas submete-o a uma condição superior: a bênção divina (“apenas se Deus, o Dono da História, abençoar”).
Figuras de Linguagem e Recursos Estilísticos
· Antítese: O conflito é construído através de oposições: “Uma parte de mim sofreria horrores / Outra parte de mim embarcaria contigo”.
· Anáfora: A repetição de “Quem dera” no início e de “A verdade é que” no meio do poema cria um ritmo solene e enfático.
· Confissão Intima: O uso da primeira pessoa e a linguagem direta (“aqui estou”) criam uma sensação de vulnerabilidade e verdade crua.
· Metáfora Final: “Deus, o Dono da História” é uma metáfora poderosa que coloca o narrador como um personagem que respeita a narrativa maior escrita por uma força superior.
Sentimento Principal
O sentimento que predomina é o da renúncia baseada no amor maior. Não é uma renúncia por medo ou fraqueza, mas por uma convicção profunda de que o amor verdadeiro (por Deus, por quem a amou primeiro) não pode ser construído sobre a traição e a injustiça. É um poema sobre amor como escolha, não apenas como sentimento.
É um testemunho belíssimo de integridade em meio à tormenta emocional. O poema mostra que a verdadeira força reside precisamente em reconhecer a vulnerabilidade do desejo e, ainda assim, escolher ser fiel a um propósito maior.
*Por Deep Seek IA


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